Tábula Rasa
Literalmente, tábula limpa, não escrita. John Locke defendia que o conhecimento humano começava pela experiência, o que é uma tese empirista, já anteriormente defendia pelos escolásticos. Mas afirmava que o intelecto humano é como uma tabula rasa (tábuas em que os romanos escreviam e que eram revestidas de cera), na qual se imprimem as primeiras sensações. Negava, assim, houvesse algo de inato no homem, e conseqüentemente idéias inatas, sem negar, porém, a necessidade de algo antecedente, pelo menos essa tabula rasa, essa capacidade de receber impressões recebidas são proporcionadas à tabula, que é o espírito humano, alguma coisa antecede à experiência, e constitui um fato no resultado de experiência, pois só se gravam na tabula rasa o que é proporcionado a ela. Os que defendem seriamente algo inato e a priori no homem, afirmam apenas a tabula rasa, do conhecimento, que Locke e os empiristas virtualizam, mas que precisam dela, porque a impressão não se gravaria se não tivesse o em que se gravar, e como não se gravam todos os estímulos exteriores, mas apenas os proporcionados à tabula rasa do conhecimento, o conhecimento é de certo modo, um produto, não só de exterior, mas da cooperação de algo que se esqueceram de meditar os empiristas.
Referência: Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais,
Prof. Mário Ferreira dos Santos
