Acepção Filosófica
Acepção Filosófica - Se observarmos a formação da terminologia filosófica greco-romana, verificamos que sempre houve o intuito de dar aos termos a acepção mais precisa, o que foi conseguido, extraordinariamente, no período da escolástica, em que as palavras, usadas por seus autores, tinham acepções seguras e permitiam a clareza no pensamento, evitando tanto quanto possível as ambigüidades. Se for observar-se a ciência moderna, verifica-se, facilmente, que seu progresso se deve, em grande parte, à nitidez e rigidez das acepções dos termos empregados, o que permite a maior inteligência, e comunicação do pensamento entre os cientistas, o que evita as interpretações ambíguas e caricaturais sobre as teorias, o que não se dá no campo da filosofia moderna. E isso se deve a essa precisão. Contudo, por ter a filosofia moderna, por um simples e psicológico espírito de rebeldia juvenil, se afastado da escolástica, desconhecendo-a completamente, a terminologia filosófica caiu no domínio das opiniões, e os termos são usados ao sabor dos autores, sem o cuidado de justificá-Ios, não só logicamente, mas, sobretudo, ontologicamente, como deveriam. O resultado é que os dicionários de filosofia vêem-se obrigados a colecionar as várias acepções usadas, e até por filósofos de segunda categoria, mas muitos lidos, a fim de percatar o leitor dos erros que porventura possa cair, julgando que tais termos tenham, ou não, tal ou qual significado. Nós nos colocamos decididamente na linha da escolástica neste ponto, e preferimos as acepções clássicas, mais seguras. Se registramos as modernas, fazemo-lo apenas para prestar esclarecimentos ao leitor. Por outro lado, sempre aconselhamos o uso que garanta maior rigidez ao conceito, q que evite as equivocidades e ambigüidades, de que está cheia a moderna literatura filosófica, tão afastada desse caminho.
Referência: Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais,
Prof. Mário Ferreira dos Santos
