SANTO AGOSTINHO
Nasceu em Tagaste (hoje Souk-Ahrás) no território compreendido atualmente pela Argélia, no Norte da África, então uma possessão romana. Adquiriu uma grande cultura humanista e dedicou-se ao magistério. Naquela época, a cultura geral era transmitida pela disciplina chamada Retórica, que compreendia o aprendizado de línguas (grego e latim, basicamente) e o conhecimento das obras dos pensadores antigos já consagrados. Ensinou Retórica em Cartago, capital da província, e, posteriormente, em Roma. No século em que viveu Agostinho, havia cessado a perseguição aos cristãos, tendo Constantino (imperador de 312 a 337) liberado o culto, enquanto o Imperador Teodósio torna o cristianismo religião oficial e, em 391, fecha os templos pagãos e interdita a sua prática.
Na Itália, travou relações com Ambrósio, bispo de Milão, igualmente tornado santo. Converteu-se em sua estada na Itália e pretendeu criar ali uma comunidade mística mas, pela interveniência de Valério, bispo de Hispona (Argélia), regressa à província pátria. Torna-se vigário naquela cidade e, após a morte do protetor, viria a substituí-lo.
Sua obra adquiriu grandes proporções, envolvendo mais de cem títulos. Nessa circunstância, dificilmente será alcançada uma classificação que reflita todas as nuanças. Contudo, com essa ressalva e excluindo-se as cartas e os sermões, poderia ser agrupada em três grandes blocos: obra filosófica; obra teológica e polêmicas. Estas duas últimas abrigam a maior quantidade de títulos (cerca de cinqüenta). A obra teológica, por sua vez, costuma ser subdividida em textos apologéticos, dogmáticos, de teologia moral e exegéticos. A obra filosófica (assim classificados os diálogos, embora envolvam problemas de ordem teológica, já que Santo Agostinho não se preocupava em separar os dois campos) compreende nove títulos, dos quais o mais famoso é, sem dúvida, O livre arbítrio. (Ver também Confissões, de Santo Agostinho e (O) Livre arbítrio, de Santo Agostinho).


