P-Q-R-S-T-U-V-W-X-Y-Z

(O) Paraíso Perdido, de John Milton

John Milton é considerado como um dos maiores escritores ingleses, sendo geralmente colocado ao lado de Shakespeare. Nasceu em 1608, oito anos antes da morte deste último, ocorrida em 1616. Revelou-se muito precoce. Em 1634, aos 26 anos, já era poeta conhecido e tinha uma de suas peças encenada. Logo depois, em 1638, empreende uma prolongada viagem à Europa. Regressa à sua pátria em decorrência da guerra civil que se inicia na década de quarenta, engaja-se do lado contrário à monarquia e acaba por integrar o governo de Cromwell*, do qual viria a ser uma espécie de porta-voz. Milton era um fervoroso puritano. Não obstante a política, continuou dedicando-se à literatura e, em 1645, aparece a primeira coletânea de seus poemas. Nesse mesmo período perdia progressivamente a visão.Em fevereiro de 1652 estava totalmente cego.

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PLATÃO

Platão nasceu em Atenas, em 425 ou 427, no seio de uma das famílias importantes, tendo recebido educação humanista e se encaminhava para a literatura. Por volta dos 20 anos passa a integrar o círculo de discípulos de Sócrates, o que o leva a redirecionar seus planos. Sócrates (470/399) era mestre de retórica, atividade muito estimada na época em decorrência da prática democrática, que exigia, dos que eram considerados cidadãos, a participação no debate de determinadas questões cuja resolução lhes estava afeta. Aqueles professores eram denominados sofistas, termo que não tinha a conotação pejorativa que veio a adquirir. Introduziu mudança radical na filosofia grega ao preferir trazer a debate questões gerais relacionadas à moral e à política, enquanto os filósofos precedentes ocupavam-se de desvendar a origem e o curso do mundo físico. Não deixou textos escritos, sendo a obra de Platão justamente uma das fontes de seu pensamento.

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POINCARÉ, Henri

Nasceu em Nancy, França, em 1854, tendo freqüentado a Escola Politécnica e a Escola de Minas. Concluindo o curso muito jovem, trabalha inicialmente como engenheiro de minas, mas resolve fazer o doutoramento, que conclui aos 25 anos de idade, em 1879. Começa então uma brilhante carreira no magistério, na Faculdade de Ciências de Caen. Na primeira metade da década de oitenta torna-se matemático de renome, de que resulta ser convidado para dirigir o Curso de Mecânica e Física Experimental da Faculdade de Ciências da Universidade de Paris. Na mesma instituição ocupou também o cargo de catedrático de física matemática.

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(A) Política, de Aristóteles

Segundo a informação que nos foi legada por Cícero, Aristóteles escreveu dois livros sobre O Político, inspirados pela obra de Platão, e quatro volumosos livros sobre a Justiça, todos desaparecidos. Também não se preservaram as memórias que teria escrito em tom de diálogo ou o livro sobre a monarquia, que Werner Jaeger imagina ter sido destinado à formação de Alexandre, de que se incumbira, a fim de, segundo afirma, “dar um novo conteúdo ético e espiritual à idéia tradicional do Rei”. Aristóteles colecionou e comentou Constituições, segundo os registros, em número de 158. Esses comentários iniciavam-se com o exame da Constituição de Atenas, único dos comentários que chegou até nós.

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(A) Política como vocação, de Max Weber

Pouco antes de falecer, em 1919, Max Weber pronunciou uma conferência sobre a atividade política, que seria publicada com o título de A política como vocação. O texto passou à história como um documento importante acerca do papel do partido político e do processo de sua constituição. Ao fazê-lo, Weber estabelece a distinção fundamental entre essas agremiações antes e depois do processo de democratização do sufrágio. Assim, no século XIX, eram simples blocos parlamentares, isto é, formavam-se no Parlamento em torno de notáveis, carecendo de importância os eleitores. Escreve: “Na época não existiam partidos organizados regionalmente, que encontrassem base em agrupamentos permanentes no interior do país. Não existia outra coesão política senão a criada pelos parlamentares, apesar de que as pessoas de importância local desempenhavam papel marcante na escolha dos candidatos”. Para compreender os partidos políticos de seu tempo – época da Primeira Guerra Mundial – era imprescindível constatar que resultavam da fusão entre os antigos blocos parlamentares e os comitês locais formados por imposição do sufrágio universal e da ampliação do universo de eleitores. E embora tais agremiações tenham desde então continuado a desenvolver-se, tornando-se estruturas muito organizadas, dispondo de amplas assessorias, núcleos programáticos que os distinguem uns dos outros, publicações e variados instrumentos de formação de quadros, Weber deu uma indicação muito precisa sobre a característica distintiva do sistema representativo amadurecido, na forma como se consolidou nas principais nações do Ocidente. Na formulação de Weber, trata-se de democracia plebiscitária. Vale dizer, periodicamente, o partido que se encontra no poder é obrigado a submeter-se ao referendo popular.

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(O) Príncipe, de Maquiavel

O Príncipe é um livro de pequenas dimensões, dividido em 26 capítulos. Seu autor estuda os meios pelos quais se constituem, se conservam e se estendem os Estados e termina exortando à sua aplicação e à criação de um potente exército nacional para libertar a Itália da dominação estrangeira.

O livro poderia ser dividido em duas partes. Na primeira, apresenta exemplos de homens que, em diversas circunstâncias, conseguiram chegar ao poder e preservá-lo. Na segunda, tomando por base a natureza humana, anuncia regras e conselhos sobre a arte de governar, ilustrando-a com exemplos.

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Princípios da moral e da legislação, de Jeremy Bentham

O livro começa pela apresentação da doutrina filosófica do autor, a que denomina de utilitarismo. O nome provém da idéia de que a moral teria sido estabelecida a partir da verificação, pela experiência e repetição, da utilidade (isto é, eficácia com relação ao fim visado) das ações. Esse princípio foi estabelecido por David Hume (1711-1776) no curso das discussões que tiveram lugar a propósito do tema (origem e fundamento da moral), no século XVIII, na Inglaterra. Bentham deu-lhe um novo direcionamento ao enfatizar que o reconhecimento daquela origem (a utilidade das ações) permitia tornar a moral uma ciência exata, introduzindo a medida.

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Princípios de uma ciência nova, de Vico

Giambatista Vico (1668-1744) viveu em Nápoles, na Itália, tendo exercido o magistério. Entre outras coisas, ensinou direito na Universidade e foi designado cronista oficial do principado, prática que se tornara freqüente nas cortes européias mais ilustradas. Graças a isso, tinha familiaridade com os problemas de ordem historiográfica e se dera conta de que o método cartesiano, tão prestigiado na época, se podia ser útil na ordenação do novo tipo de saber que se vinha estruturando em relação à natureza, pouco tinha a dizer quando se tratava da história. Entre seus escritos históricos deixou-nos A sabedoria primitiva dos italianos. O texto básico em que procura dar conta da singularidade do conhecimento histórico intitulou-o Princípios de uma ciência nova acerca da natureza comum das nações (1725; 2ª edição reelaborada, 1730). Na medida que o tema por ele estudado chega a ocupar uma posição central na meditação filosófica, suas descobertas foram extremamente valorizadas. Contudo, não chega a desprender-se da suposição de que haveria um destino de certa forma pré-estabelecido, que poderia ser entrevisto no exame concreto da história. Assim, escreve nos Princípios de uma Ciência Nova que seu objetivo primordial consiste em estabelecer “uma história ideal eterna, descrita segundo a idéia da Providência, segundo a qual decorrem nos tempos todas as histórias particulares das nações em suas aparições, progressos, estados, decadências e fins”.

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Princípios de política, de Benjamin Constant

Benjamin Constant foi o pensador liberal que enfrentou, em caráter pioneiro, as questões teóricas suscitadas pela Revolução Francesa. A primeira delas dizia respeito à denominada soberania geral (ou popular), em nome da qual passou a ser exercido o poder, que, além das atribuições clássicas, deveria promover a virtude, mesmo às custas de sucessivos banhos de sangue, como de fato ocorreu. As emanadas do novo sistema expressariam a vontade geral, conceito popularizado por Jean-Jacques Rousseau.

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(As) Profecias de Daniel e o Apocalipse, de Isaac Newton

Isaac Newton (1642-1727), fundador da física moderna, escreveu também obras teológicas, às quais atribuía grande importância. Encontra-se neste caso o livro Observations Upon the Prophecies of Daniel and the Apocalypse of St John*. Não apenas pela notoriedade do autor, é considerado como exemplo expressivo do interesse despertado pelo texto bíblico por pensadores que se sentiam instigados a desvendar a sua racionalidade, certos de que semelhante abordagem não atenta contra o caráter sagrado do texto, que corresponde à forma característica pela qual os cristãos aproximam-se da Bíblia. É certo que, em grande medida, a chamada crítica bíblica cuidou de desvalorizar o seu conteúdo. Além de que nem sempre foi o caso, a própria necessidade de situar os relatos em seu respectivo contexto histórico estimulou muitos autores a buscar uma interpretação “neutra”, sem que isto implicasse em negar a sua importância para o Ocidente. Nesse particular, o livro de Newton é considerado paradigmático.

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Prometeu Acorrentado, de Ésquilo

Em conformidade com a mitologia grega, Prometeu é da raça dos Titans, iniciador da primeira civilização humana. Tendo revelado aos homens o segredo do fogo, foi punido por Zeus de forma verdadeiramente bárbara. Amarrado a um monte, tinha o seu fígado devorado por uma águia. Como aquele órgão reconstituía-se sempre, o suplício jamais terminaria não viesse a ser libertado por Hércules. Essa lenda costuma ser associada a uma outra, de idêntica índole. A primeira mulher da humanidade, Pandora, torna-se esposa de Epimeteu, irmão de Prometeu. Viria a ser responsável pela disseminação do mal no mundo por haver aberto uma caixa onde Zeus trancara as misérias humanas. A expressão “caixa de Pandora”, como “caixa de maldades”, continua sendo metáfora de uso freqüente. Na mitologia grega, na caixa de Pandora somente sobrou a Esperança.

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PROUDHON, Pierre-Joseph

Pierre-Joseph Proudhon nasceu em Besançon, França, em 1809, adquirindo sua formação no colégio local. Em 1826, quando tinha apenas 18 anos, a indústria pertencente a seu pai entrou em crise, o que o obrigou a buscar emprego. Trabalhou então como tipógrafo mas continuou, como autodidata, a estudar. Ainda adolescente, torna-se partidário das idéias de Charles Fourier (1772-1837), economista de certa nomeada que publicara, em 1820, a obra Le nouveau mode industriel et societaire, em que preconiza seja a atividade produtiva organizada no que denominou de “falanstério”. Tratava-se de uma associação voluntária de proprietários, capitalistas e operários, recebendo cada um número de ações proporcional à sua contribuição. Condenava o capitalismo por entender que a concorrência trazia grandes malefícios para a sociedade. Divulgou também suas idéias numa revista (Revista Industrial ou Falanstério), que circulou entre 1832 e 1849, isto é, sobreviveu à sua morte mas não à Revolução de 48. Fourier foi arrolado por Marx entre os “socialistas utópicos”.

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PTOLOMEU

Cláudio Ptolomeu foi uma das personalidades mais destacadas do Museu de Alexandria, criado por Alexandre, o Grande (336-323 antes de Cristo), macedônico que conquistou o mundo conhecido em seu tempo e que teve a Aristóteles como preceptor. Sabe-se pouco da vida pessoal de Ptolomeu, apenas que viveu no século II da nossa Era.

Acham-se associados ao Museu de Alexandria os nomes de grandes homens de ciência, em especial Euclides e Cláudio Ptolomeu.

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(O) Que é a propriedade, de Proudhon

O que é a propriedade, publicado em 1840, consiste numa tentativa do autor, Pierre-Joseph Proudhon, de dar continuidade à meditação de Rousseau, associando-a ao movimento socialista que assumiu uma expressão concreta na França de seu tempo. Rousseau havia postulado que, eliminando-se as instituições opressoras criadas pela sociedade e permitindo-se a emergência da vontade geral, o povo saberia encontrar o seu destino numa espécie de assembléia permanente. Os rumos seguidos pela Revolução Francesa mostraram o caráter ilusório daquela postulação. Entretanto, as gerações seguintes passaram a entender que semelhante desfecho não significava a impossibilidade de uma sociedade justa. A linhagem Saint Simon, Fourrier e Augusto Comte tratou de comprovar que, pela constituição de uma ciência da sociedade, pode-se chegar a um consistente projeto de reforma social. Agora o governo é uma questão de competência. O que é a propriedade reflete esse conjunto de influências. O homem é bom e o progresso é possível, como queria Rousseau. Ainda assim, tal resultado não advirá espontaneamente mas de descobertas científicas que indiquem, de modo preciso, o caminho a seguir. A contribuição de Proudhon consiste em pretender sofisticar essa argumentação, acrescentando-lhe a dialética hegeliana. A sua proposta é apresentada como uma síntese de uma tese e de uma antítese anteriores. Por tudo isto considera-se que influi sobremaneira no pensamento de Carlos Marx, cujo socialismo científico ter-se-ia inspirado em Proudhon. O rompimento entre os dois, que se deu mais tarde, decorreria do empenho de Marx de defender, a todo custo, a originalidade de sua doutrina.

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QUEIRÓS, Eça

Eça de Queirós (José Maria) nasceu no interior de Portugal (Povoa de Varzim) em 1845. Cursou humanidades em renomado colégio do Porto e matriculou-se na Faculdade de Direito de Coimbra. Formou-se em direito, muito jovem, aos 21 anos de idade, radicando-se em Lisboa e dedicando-se ao jornalismo.

Eça de Queirós pertenceu à chamada geração de setenta e participou de seu projeto de transformar Portugal por meio de uma espécie de revolução cultural. Portugal, que ocupara o primeiro posto nos descobrimentos e erigira um vasto império, entrou em decadência, perdeu sucessivamente posições na Europa e parecia não dispor da menor capacidade de resistência. Aquele grupo entendeu que o atraso relativo experimentado pelo país advinha do isolamento cultural imposto pela Contra Reforma, que o levou a dar as costas aos progressos científicos e à Revolução Industrial. Em face desse diagnóstico, passou a acreditar que poderia eliminar o torpor em que se vivia graças à substituição da literatura romântica pelo realismo; da filosofia espiritualista pelo positivismo e da política conservadora pela socialista. Apesar da grande renovação literária que esse movimento iria proporcionar, a tradição não se deixou vencer e Portugal continuou mais ou menos o mesmo. Nos anos oitenta, a geração de setenta reconhecese como os Vencidos da Vida. Esse clima cultural – e a experiência da geração a que pertencia – reflete-se amplamente na obra literária de Eça de Queirós.

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Reflexões sobre a revolução em França, de Edmund Burke

Sendo um político liberal de destaque e acreditando firmemente na superioridade do sistema representativo ainda que sua existência, na época, estivesse circunscrita à Inglaterra, Edmund Burke ficou vivamente impressionado com o fato de que uma organização, de que sequer se tinha conhecimento, tivesse enviado moção de apoio à Assembléia Nacional Francesa e o documento fosse acolhido com grande alarde e interpretado como se refletisse o pensamento da opinião pública inglesa. Dispôs-se então a examinar de perto as opiniões sustentadas por aquela organização (denominava-se “Sociedade da Revolução”) e o fez em forma de cartas a “um jovem fidalgo de Paris, que lhe concedeu a honra de desejar conhecer sua opinião sobre os acontecimentos que então ocupavam, e ainda ocupam, a atenção de todos”. Era comum esse tipo de forma literária, em muitos casos inexistindo o suposto missivista. Na verdade, Burke, como afirma claramente, estava preocupado com o destino das instituições em seu próprio país. Estávamos em 1790. A revolução na França começara a 14 julho do ano anterior e adotara a forma do que passou a chamar-se de monarquia constitucional, por oposição ao absolutismo vigente no continente. Ainda não produzira todos os desdobramentos que Burke prenunciava. Mas como seu prognóstico viria a ser confirmado, no período subsequente o livro acabou obtendo grande acolhida.

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(A) Religião nos limites da simples razão, de Kant

O livro A religião nos limites da simples razão foi publicado quando Kant já divulgara o fundamental de seu pensamento nos estudos sobre a razão teórica (Crítica da razão pura, 1781) e sobre a razão prática (Fundamentação da metafísica dos costumes, 1785 e Crítica da razão prática, 1788). O próprio Kant, em 1787, numa carta particular, afirmara que as potências da alma eram três e não duas, a saber: a faculdade de conhecer, a que dedicara a primeira das críticas; A faculdade de querer (considerada nos seus estudos sobre moral), e o sentimento do prazer ou do desagrado, também denominado de faculdade estética, que estudará no livro Crítica do juízo (1790). Na verdade, na passagem do conhecimento teórico para a vida moral, a razão ficara verdadeiramente dividida em Kant, cisão que tentará superar no último livro.

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(A) Revolução Industrial, de T. S. Ashton

O livro fundamental sobre a Revolução Industrial é da autoria do professor da Universidade de Londres T.S.Ashton. A primeira edição inglesa (The Industrial Revolution) é de 1948, logo traduzida ao espanhol pela Fondo de Cultura do México, em 1950, ambas sucessivamente reeditadas. Ashton considera o problema com a máxima amplitude, notadamente os antecedentes mais marcantes. Levando-os em conta, acha o nome pouco apropriado, embora consagrado, porquanto iniciou-se no campo e abrange várias décadas, de 1760 a 1830. Seu trabalho tem ainda o mérito de deter-se na avaliação das explicações simplistas, que a correlacionam a uma ou outra circunstância isolada.

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Robinson Crusoé, de Defoe

O jovem inglês Robinson Crusoé resolve tornar-se marinheiro e apesar da oposição da família e das intempéreis enfrentadas na primeira viagem, insiste nesse propósito, sofre naufrágio, torna-se escravo, foge, radica-se no Brasil e consegue ganhar algum dinheiro. De regresso à pátria, ao invés de acomodar-se, como aconselha o bom senso e a primeira mulher, larga tudo e volta á vida do mar. Aqui começa efetivamente o romance porquanto viria a ser o único sobrevivente de um naufrágio, encontrando-se numa ilha completamente desabitada que, mais tarde, verificaria localizar-se no Caribe. Estávamos em 1659 e Robinson Crusoé tinha então 27 anos.

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ROUSSEAU, Jean-Jacques

Jean-Jacques Rousseau nasceu em Genebra, Suíça (1712) e teve uma vida relativamente peregrina, até os 30 anos, quando passa a viver em Paris. Em decorrência da sucessiva migração de residência, não se fixando em nenhuma profissão e mesmo numa opção religiosa (nascido numa família protestante, converte-se ao catolicismo para em seguida abandonar toda crença) teve uma formação desordenada. De todos os modos, quando chega a Paris, em 1742, é culto o suficiente para circular nos ambientes intelectuais da capital e passa a colaborar na Enciclopédia. Em 1749 começa a ganhar notoriedade ao receber prêmio da Academia de Dijon. A intenção da academia era debater a influência da renovação das artes e das ciências no desenvolvimento e elevação cultural. Ao contrário dessa suposta elevação, Rousseau entende que não somente deixam de depurar os costumes como leva-os a corromperem-se. A partir desse Discurso sobre as ciências e as artes irá sucessivamente radicalizar sua crítica à sociedade. Em 1754, numa viagem a Genebra, reintegra-se à Igreja Calvinista.

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(O) Sagrado e o profano, de Mircea Eliade

O sagrado e o profano*, do pensador romeno Mircea Eliade (1907-1986), resume o essencial da investigação do notável estudioso. Eliade não se deixa impressionar pela secularização promovida pela Época Moderna Ocidental, convencido que está de que muitas das atitudes dos modernos encontram sua explicação última na religiosidade do homem. O livro estuda a experiência religiosa, detendo-se no exame da construção das idéias de espaço e tempo, e, finalmente, da vivência religiosa propriamente dita. Na conclusão examina especificamente o tema do sagrado e do profano no mundo moderno.

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SANTO AGOSTINHO

Aurelius Augustinus, tornado Santo pela Igreja Católica e desde então conhecido como Santo Agostinho, nasceu em meados do século IV (354) e faleceu em 430, tendo vivido portanto 76 anos. Convertendo-se ao cristianismo numa idade adulta (32 anos), teve contudo mais de três décadas para tornar-se o primeiro grande formulador da doutrina cristã, tanto filosófica como teológica. Nessa elaboração doutrinária, valeu-se amplamente do método filosófico elaborado pelos gregos, inclusive apresentando diversos de seus textos em forma de diálogo, seguindo a Platão. Popularizou a consigna de que era necessário compreender para crer e crer para compreender (Intellige ut credas, crede ut inteligas). Tornar-se-ia uma figura central nos debates, ocorridos na Época Moderna, de que resultaram a Reforma Protestante e outras manifestações de descontentamento com o Papado, a exemplo do jansenismo francês.

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SÃO TOMÁS

Pertencia à nobreza italiana e, tão logo concluiu as chamadas artes liberais, destinadas a proporcionar cultura geral, ingressou na Ordem dos Dominicanos. Concluiu sua formação com Alberto Magno, que se ocupava de adaptar a filosofia de Aristóteles – de que só recentemente se tomara conhecimento – à doutrina cristã. Tomás de Aquino torna-se discípulo predileto do respeitado mestre, que o indica para lecionar na Universidade de Paris. Na condição de professor, inicia a obra que o tornaria figura central na filosofia católica. Em 1259, aos 34 anos de idade (nasceu em 1225), já era um docente de renome e o Capítulo Geral dos Dominicanos incumbe-o de elaborar o programa de estudos para os que ingressam na Ordem.

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SARTRE, Jean-Paul

Jean-Paul Sartre nasceu em Paris em 1905 e faleceu nessa mesma cidade, aos 75 anos, em 1980. Tornou-se uma das mais poderosas influências nas décadas iniciais do pósguerra. Depois de trabalhar como professor do Liceu, de haver estudado em Berlim a obra de Heidegger e de ter sido prisioneiro dos alemães durante a guerra, fundou (1945), em Paris, Temps Modernes, revista que conseguiu granjear enorme prestígio e reunir intelectuais de renome. De início, Sartre tentou popularizar a sua interpretação do pensamento de Heidegger, através de artigos e ensaios mas sobretudo na obra O ser e o nada (1943). Diante da rejeição do próprio Heidegger, avançou versão autônoma no livro O existencialismo é um humanismo (1946) e passou a divulgá-la através de obras literárias, em especial peças de teatro. Essa proposta exauriu-se rapidamente e, em 1960, proclamou que o marxismo era o saber de nosso tempo, cabendo ao existencialismo um pequeno segmento para investigação (Crítica da razão dialética). Antes dessa mudança, Sartre iniciara o rompimento com a proposta ontológica centrada no indivíduo singular pelo projeto de redenção social através da mediação do proletariado. A inconsistência teórica dessa autêntica boutade seria cabalmente demonstrada por Maurice Merleau-Ponty (1908-1961) na obra Les aventures de la dialectique (1955).

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(O) Segundo tratado do governo civil, de John Locke

São dois os tratados acerca do governo civil, da autoria de John Locke. O primeiro consiste numa refutação da tese aventada por Robert Filmer, no livro Patriarca (1680), segundo a qual a origem do poder dos reis provém da circunstância de que correspondem à descendência de Adão. O segundo desenvolve a doutrina daquilo que seria a autêntica origem do poder, isto é, o governo representativo. Tornou-se, portanto, o marco inicial de fundação da doutrina liberal.

Acontece que o livro tem uma história interessante. Tudo indica que tenha circulado no seio da elite em forma manuscrita na década de oitenta, desde que se admite Locke haja assumido a liderança do movimento cujo desfecho seria a Revolução Gloriosa de 1688, a partir de 1683, com a morte de Lord Shafsterbury. Em 1885 assume o poder Jaime II, católico, que era rei da Escócia e mais uma vez nuvens negras, ameaçadoras de reinício da guerra civil, pairam sobre a Inglaterra.

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(O) Senso comum e a crise, de Thomas Paine

Nasceu na Inglaterra em 1737, numa família protestante (quaker). Depois de tentar a manufatura (seguindo ao pai que era empresário, fabricante de produtos pessoais) e o comércio, sem sucesso, dedicou-se a atividades intelectuais. Procurou, inicialmente, ordenar-se pastor da Igreja Anglicana, o que não conseguiu. Por fim, fixou-se no magistério. Nessa altura, aos 37 anos de idade, conheceu em Londres a Benjamin Franklin* que o ajudou a emigrar para os Estados Unidos, dando-lhe cartas de recomendação. Justamente em 1774 estava reunido em Filadélfia o Primeiro Congresso Continental, que foi o começo da articulação das colônias para enfrentar a política de Jorge III, que se considerava atentatória às prerrogativas que haviam conquistado. Era grande a divisão no seio dos delegados ao Congresso, entre os que já então preconizavam a Independência e os que preferiam negociar com a Inglaterra status que impedisse eventuais retrocessos. Contudo, nenhum dos agrupamentos conseguiria impor-se naquela ocasião. Faltava-lhes, sobretudo, respaldo na opinião pública. Nesse particular é que sobressai o papel de Paine.

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Seis livros da República, de Bodin

Os principais estudiosos da política costumam proclamar que o pensamento autoritário desempenhou papel significativo na estruturação do Estado Moderno. Este, ao promover a centralização do poder, constitui absoluta novidade na Europa em vias de sair do feudalismo, onde a autoridade se disseminava por grande número de instâncias. Dentre os instituidores daquela espécie de pensamento, sobressai Jean Bodin (1530-1596).

Quando publicou os Seis livros da República, em 1576, aos 46 anos de idade, Bodin já gozava da reputação de grande erudito na Corte Francesa e nos meios intelectuais de outros países europeus. Havia publicado, em 1566, Método para facilitar o conhecimento da história, em latim, e logo a seguir um texto sobre economia, tendo ambos encontrado acolhida favorável entre os estudiosos. Depois de ter sido professor de Direito, Bodin ingressa na Magistratura. Elegeu-se para os Estados Gerais. Escrita em francês, A República foi traduzida em diversas partes da Europa e sucessivamente reeditada na França.

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Ser e Tempo, de Martin Heidegger

A obra em epígrafe, de Martin Heidegger, aparecida na Alemanha, em 1927, é considerada como sendo representativa da filosofia contemporânea, figurando em geral nas seleções dedicadas ao chamado Canon Ocidental. Tratando-se de uma obra muito hermética, a circunstância deve ser atribuída ao grande sucesso alcançado pelo chamado existencialismo francês, neste pós-guerra, transformado num verdadeiro código de comportamento da juventude que se auto-intitulava rebelde. Embora tivesse desautorizado a interpretação de seu pensamento por Sartre – que viria a ser o grande corifeu da mencionada vertente da filosofia existencialista –, Heidegger teve seu nome associado a tal movimento.

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Sermões, de Joseph Butler

Nos Sermões sobre a natureza humana (Butler's Fifteen Sermons, edited by T. A. Roberts, London, Society for Promotion Christian Knowledge, 1970, p. 17-39), Butler desenvolve plenamente suas idéias acerca dos elementos presentes à ação do homem. No primeiro, parte da afirmação de que "fomos feitos para a sociedade e para o bem de nossos semelhantes", sem embargo de que "devemos ser zelosos de nossa própria vida, saúde e bens privados". E prossegue: "... existe no homem um princípio natural de benevolência, que em certa medida representa para a sociedade o que o amor-próprio significa para o indivíduo. E se existe na humanidade alguma disposição para a amizade; se existe algo como a compaixão, que é o amor momentâneo; se existe algo como as afeições paternal e filial; se há alguma afeição na natureza humana, cujo objeto e fim seja o bem de outro, isto será a própria benevolência ou o amor do outro".

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(Os) Sete contra Tebas e Oréstia, de Ésquilo

Trata-se de duas trilogias sendo que a primeira (Os sete contra Tebas) era a última e a única que se preservou integralmente. A primeira peça intitulava-se Laos e, a segunda, Édipo, cujo enredo veio a ser reconstituído a partir apenas de fragmentos, não permitindo, portanto, encenação. A segunda trilogia, inteiramente preservada (Oréstia) compreende estas peças: Agamenon; Os Coéforos (portadores de oferendas aos mortos) e Os Eumênides (espírito dos mortos). Ambas as trilogias estão dedicadas às duas famílias malditas (Labdicidas e Atridas), constantes da mitologia grega, cuja saga incendiou a imaginação dos grandes dramaturgos.

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SHAKESPEARE, William

Alguns dados da vida de Shakespeare são imprecisos, a começar da data de seu nascimento, que teria ocorrido a 23 de abril de 1564, em Stratford-sur-Avon, Inglaterra. Sabese ao certo que seu pai era comerciante e que se casou em 1582, com apenas 18 anos, nascendo a primeira filha após seis meses e, em 1585, dois outros filhos gêmeos. Dois anos depois terá se mudado para Londres, onde se tornou ator e autor de peças teatrais. Nos anos de 1590 e 1592 dá-se a apresentação de seu primeiro drama histórico, Henrique VI. Em 1592 teria completado 28 anos. Há registro das primeiras apresentações de suas diversas peças. Em 1610, volta a viver em Stratford onde viria a falecer em 1616, aos 52 anos de idade. A cidade ergueu-lhe um busto logo a seguir. A primeira edição de seu teatro completo seria de 1623.

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(O) Sistema totalitário, de Hannah Arendt

Em 1951, Hannah Arendt começou a publicar As origens do totalitarismo, em três tomos, dedicando o primeiro ao anti-semitismo, o segundo ao imperialismo e o terceiro ao totalitarismo propriamente dito. Deste último promoveu reedições corrigidas e ampliadas em 1958 e 1966. Tornou-se praxe publicá-lo de modo autônomo com o título de O sistema totalitário.

Arendt retoma a idéia muito difundida de que a revolução industrial criara uma sociedade de massas e através de análises sociológicas minuciosas, identifica as relações entre os movimentos totalitários europeus e as massas. Refutando as crenças estabelecidas de que a ascensão da massa seria produto da igualdade crescente das condições sociais sob o capitalismo, Arendt logra estabelecer a sua característica essencial.

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(A) Sociedade aberta e seus inimigos, de Karl Popper

A Sociedade Aberta e seus Inimigos, de Karl Popper (1902-1994), foi publicada (1945) num momento em que o caráter totalitário do regime soviético ficara obscurecido em decorrência da aliança da União Soviética com o Ocidente, contra o nazismo. Logo adiante, na medida em que os russos logram impor o seu odioso sistema a sucessivos países no Leste europeu, a pertinência do alerta de Popper iria tornar-se evidente, assegurando o sucesso da obra e a sua sucessiva reedição.

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(A) Sociedade Feudal, de Marc Bloch

A Sociedade Feudal (1939-1940), de Marc Bloch, representa uma contribuição essencial para a adequada compreensão do feudalismo, fenômeno complexo que os marxistas tentaram reduzir a uma verdadeira caricatura. Adicionalmente, revolucionou a periodização da Idade Média.

Convencionou-se denominar de Idade Média a um período extremamente dilatado, abrangendo cerca de um milênio (da segunda metade do século V, quando se consuma o término do Império Romano, e a fase de decadência do Papado, que começa em fins do século XV). Além disto, foi englobadamente classificada como Idade das Trevas, o que não corresponde à verdade, sobretudo quando pretende referir-se à atuação da Igreja Católica, que variou muito ao longo do tempo.

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SÓFOCLES

Sófocles nasceu em Colônia em 495, sendo trinta anos mais moço que Ésquilo – o primeiro dos grandes dramaturgos gregos cuja obra e nomeada sobreviveram até nós. Em que pese a diferença de idade, suas peças chegaram a ser encenadas com sucesso ao lado daquelas que o grande mestre levava à cena ainda em vida. A par do reconhecimento como homem do teatro, era uma personalidade pública de prestígio. Em decorrência dessa condição, foi escolhido estratego ao lado de Péricles para dirigir uma expedição militar contra Samos (ilha grega situada no mar Egeu, próxima da Turquia), em 440. Em sua época, era grande a disputa em Atenas entre os partidários da democracia e os que a esta se opunham. Parece achar-se mais ligado a estes últimos, embora se trate de simples inferência. Teria participado da denominada revolução oligárquica de 411. Tinha então 84 anos idade bastante avançada. Faleceu cinco anos depois, em 406, com 89 anos.

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(Os) Sofrimentos do jovem Werther, de Goethe

Os sofrimentos do jovem Werther apareceu em 1774. Seu autor, Johann Wolfgang Goethe, tinha apenas 25 anos. O livro surpreendeu e encantou ao mesmo tempo, pela força dramática com que é descrito o personagem, digno de integrar a galeria construída por Shakespeare ou ao lado das figuras imorredouras criadas pela tragédia grega. Werther passou desde então a tipificar o herói romântico, embora se discuta se Goethe integraria de fato o romantismo, considerando o conjunto de sua obra.

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STENDHAL

Stendhal era o pseudônimo de Henry Bayle, adotado quando já se tornara escritor relativamente conhecido. Nasceu em Grenoble, interior da França, em 1783. Deste modo, tornou-se adulto em plena época napoleônica. Graças á proteção de um parente, pessoa influente na nova situação, aos 17 anos, em 1800, consegue um posto na Itália. Abandonando esse trabalho, ainda em 1801, obtém mais tarde novo emprego, graças ainda ao protetor. As comissões de que então seria incumbido leva-o a deslocar-se por diversos países, inclusive a Rússia. A queda de Napoleão, deixa-o mais ou menos ao desamparo. Estabelece-se na Itália, em Milão, por sete anos (1814/1821).

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SWIFT, Jonathan

Jonathan Swift nasceu em Dublin, capital da Irlanda, em 1667. Era primo do poeta inglês John Dryden (1631/1700), considerado expoente da literatura inglesa da época, o que facilitou a sua aproximação à Corte londrina. Ao completar a idade adulta, vivenciou o período subseqüente à Revolução Gloriosa de 1689, início da estabilidade do Parlamento, sendo afastada em definitivo a possibilidade de herdeiro católico assumir o trono, foco principal da prolongada guerra civil, o que trouxe graves conseqüências para sua terra natal. O reinado de Guilherme de Orange – 1689/1702 – é marcado por uma forte repressão aos movimentos autonomistas irlandeses, por seus fundamentos religiosos*. Swift não se omitiu diante dessa delicada questão, como indicaremos.

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Teoria dos sentimentos morais, de Adam Smith

Adam Smith (1723/1790) tornou-se famoso pelo livro Inquérito sobre a natureza e as causas da riqueza das nações (1776), cuja doutrina foi inicialmente denominada de “livre cambismo” e, posteriormente, de liberalismo econômico. Vigorava o entendimento de que a riqueza das nações provinha do comércio, devendo ser buscados ganhos em metais preciosos, notadamente o ouro. Essa teoria denominava-se “mercantilismo” e exigia uma forte presença do Estado. Smith avançou a hipótese de que os países deveriam tirar vantagem da divisão do trabalho e orientar-se pelo livre comportamento dos mercados. Embora granjeasse crescentes apoio nos meios acadêmicos, a tese de Smith somente começaria a ser experimentada, na Inglaterra, setenta anos depois, na década de quarenta do século XIX. Desde então, com os ajustamentos requeridos pelos avanços registrados no processo produtivo, o liberalismo econômico é a doutrina adotada pelos países capitalistas, onde vigora o que se convencionou chamar de economia de mercado. A contribuição teórica de Smith, entretanto, não se limita a esse aspecto. Coroou o empolgante debate da primeira metade do século em que viveu, relativo à moral social, em que intervieram Bernard Mandeville, Anthony Asley Cooper, Joseph Butler e David Hume. Smith cultivou a amizade de Hume, por quem tinha grande admiração, e sua obra dedicada à moralidade visa justamente aprofundar a compreensão e defender um aspecto essencial da doutrina humeana da moral.

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Timeu, de Platão

Considera-se que o diálogo Timeu seria expressivo da forma encontrada por Platão para ultrapassar a chamada “fase socrática” – em que os diálogos pretendem apenas examinar o processo de elaboração de determinados conceitos – e avançar na formulação de sua própria doutrina. Com efeito, Timeu corresponde a uma espécie de reapresentação dos grandes mitos gregos relativos à criação do mundo. Desta forma, o diálogo conteria o que se denominou de cosmologia. Essa disciplina sobreviveu até a Época Moderna quando teve lugar o aparecimento da nova física e abandonou-se a busca de um saber da natureza como totalidade, voltando-se a investigação para fenômenos limitados (físicos, químicos etc.). Posteriormente, o nome veio a ser adotado para designar hipóteses sobre modelos do chamado “sistema do mundo”, acerca dos quais os próprios cientistas não chegam a um acordo*.

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TOCQUEVILLE, Alexis

Alexis de Tocqueville nasceu em 1805, numa família francesa tradicional, pertencente à nobreza, tendo seu pai sido perseguido durante a Revolução Francesa e vindo a ocupar posição de relevo na nova situação denominada de Restauração, subseqüente à queda de Napoleão e que durou até a Revolução liberal de julho de 1830. Concluiu a Faculdade de Direito de Paris em 1825, aos 20 anos de idade. Durante os anos de 1826 e parte de 1827 fez uma viagem de estudos à Itália. Ingressou na Magistratura como Juiz-Auditor em Versalhes, onde seu pai era prefeito.

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Tragédias, de Shakespeare

Shakespeare escreveu onze tragédias. Harold Bloom considera que as três iniciais fariam parte do que chama de "aprendizado", a saber: Tito Andrônico, Romeu e Julieta e Júlio César, que teriam sido escritas na década de noventa do século XVI, quando elabora todos os dramas históricos (à exceção de Henrique VIII). A primeira daquelas tragédias não chegou a gozar de maior reputação, havendo inclusive autores que ponham em dúvida seja Shakespeare seu autor. Responsável pela organização da obra completa editada pela Aguilar, e autor dos diversos textos introdutórios que a instruem, Oscar Mendes assinala que "há na peça tamanha acumulação de horrores, de crimes sanguinolentos, que um crítico revoltado, diante de tanto mau gosto, comparou-a a um matadouro, em que magarefes esfaqueiam, mutilam esquartejam, decepam, numa fúria de insanos". Apesar do incessante sucesso de público e do sentido comovente da história, Romeu e Julieta ainda não exprime o forte de Shakespeare, que consiste muito mais em fixar o tipo humano que a trama em que se acha envolvido. Júlio César também foi confrontado desfavoravelmente em relação à obra da maturidade. O texto seria muito curto. A figura mais importante não seria o mártir mas o assassino E assim por diante. Naturalmente, as críticas somente se explicam pela magnitude das tragédias subsequentes.

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Tratado do Homem.Suma Teológica, de São Tomás de Aquino

A Suma Teológica foi estruturada tomando por base os grandes temas do cristianismo, recorrendo aos autores que os discutiram, notadamente Santo Agostinho. A grande inspiração é constituída pelas idéias de Aristóteles, filtradas por Alberto Magno. Sua obra fundamental, Suma teológica, somente é acessível a especialistas, além de que versa quantidade imensa de conceitos e temas, estudados de modo autônomo, sem outro fio condutor além de que dizem respeito á doutrina cristã. Do ponto de vista da cultura geral, contudo, recomendamos o conhecimento do texto que aparece com o título de Tratado do homem (Questão XCIII (93), artigos 1 a 9). O próprio São Tomás enuncia-o deste modo: “devemos considerar o fim ou têrmo da produção do homem, enquanto é tido como feito à imagem e semelhança de Deus.” O encadeamento adotado, isto é, as questões que vai considerar, é o seguinte: 1) se no homem está a imagem de Deus; 2) se a imagem de Deus está nas criaturas irracionais; 3) se a imagem de Deus está mais no anjo que no homem; 4) se a imagem de Deus está em todo homem; 5) se no homem está a imagem de Deus relativamente à essência ou a todas as Pessoas divinas, ou a uma só delas; 6) se a imagem de Deus está no homem, quanto ás potências, ou quanto aos hábitos, ou aos atos; 8) se relativamente a todos os objetos; 9) a diferença entre imagem e semelhança.

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TUCÍDIDES

Embora imprecisas, as datas adiante costumam ser aceitas: Tucídides teria nascido em 460 antes de Cristo e falecido por volta do ano 400. Deste modo, presenciara o início (431) e o fim da guerra do Peloponeso (404), se bem o seu relato do evento só alcance até 411.

Vivendo em Atenas, Tucídides presenciou a peste que se abateu sobre a cidade nos anos 430 a 427, que vitimou ao próprio Péricles, seu mais expressivo líder naquela altura.

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(As) Variedades da experiência religiosa, de William James

William James (1842-1910) nasceu em Nova York e estudou medicina em Harvard, concluindo o curso em 1869. Logo adiante tornou-se professor naquela universidade, primeiro ensinando fisiologia e depois filosofia. Logrou dar a mais ampla projeção à filosofia norteamericana, sendo um dos fundadores da corrente denominada de pragmatismo, que corresponde à reafirmação da tradição empirista inglesa e, ao mesmo tempo, a apresentação do conceito de experiência com uma amplitude que não lhe havia sido atribuída pelos ingleses. A essa corrente de pensamento estão associados outros pensadores de grande nomeada, como George Santayana, Pierce, John Dewey e Sidney Hook, entre outros.

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(O) Vermelho e o Negro, de Stendhal

O Vermelho e o Negro combina a apresentação de um painel (cáustico) da sociedade francesa do tempo dos ultras* com a criação de um típico herói romântico (Julien Sorel), consumido por um amor impossível.

Julien Sorel é filho do proprietário de uma pequena serraria no interior da França. Aprendeu latim e, dotado de memória excepcional, era capaz de decorar os textos em latim dos grandes clássicos e da própria Bíblia. Do ponto de vista do pai e dos irmãos, musculosos e ignorantes, aquelas qualidades eram o suficiente para o considerarem inútil e o maltratarem impiedosamente. Julien simpatiza secretamente com Napoleão e sua época, naturalmente sem nenhuma base objetiva, apenas por imaginá-la como um grande contraste à situação que presencia.

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(As) Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift

As viagens de Gulliver foram popularizadas sobretudo como contos para crianças, sem referência às circunstâncias que levaram Swift a inventá-las. Aquela vertente foi explorada pelo cinema, inclusive na forma de desenho animado, em especial o primeiro episódio. Neste, o valoroso marinheiro sofre naufrágio e chega a uma terra (Liliput) de criaturas muito pequenas, onde tudo o mais (árvores, animais, etc.) obedecem a idênticas proporções. Permanece ali tempo suficiente para aprender a língua e os costumes. Tem um papel fundamental na guerra em que os liliputanos se envolvem com povo vizinho, proporcionando-lhes uma grande vitória ao amarrar, uns aos outros, os barcos da Armada inimiga e rebocá-los com uma corda. Apesar de se ter transformado em herói nacional, devidamente condecorado, é vítima de intriga da Corte (o país está organizado em forma de monarquia) e condenado. Consegue fugir depois de muitas peripécias e voltar à Inglaterra.

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WATSON, James

James Dewey Watson nasceu em Chicago, Estados Unidos, em 1928. Matriculou-se muito jovem na Universidade para estudar zoologia mas, nessa época, estava interessado em aves, não se tendo adaptado ao curso. Aos 19 anos transferiu-se para a Universidade de Indiana e desde então, voltou-se para a genética. Passou por diversos centros. Finalmente, em 1953, em comum com o físico inglês Francis Crick (nascido em 1916), estabeleceu a estrutura do DNA. Ganhou o Prêmio Nobel em 1962. Entrou numa disputa mesquinha com Crick a propósito da paternidade da revolucionária descoberta. Sem tomar partido quando a isto, todos os estudiosos consideram ser o autor de sua melhor exposição: The Double Helix (Penguin, 1968). Conhecido historiador da ciência, Paul Stratfern, a propósito dessa obra, teria oportunidade de escrever o seguinte: “Melhor autobiografia em primeira mão de uma descoberta científica já escrita, repleta de detalhes pessoais quanto de ciência. Tendenciosa (contra Francis Crick, é claro), mas uma excelente leitura para cientistas e não cientistas também”.

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WEBER, Max

Max Weber nasceu em 1864 no seio de uma família de industriais no Oeste da Alemanha. Seu pai era advogado e político conhecido, representante de uma das facções liberais no Parlamento. Weber pretendia seguir a carreira do pai e doutorou-se em direito na Universidade de Berlim, 1889, aos 25 anos. Para o exercício da docência livre, na mesma Universidade, elaborou uma tese sobre o direito agrário na Roma Antiga. Nos anos seguintes realizou uma ampla pesquisa sobre o trabalho rural nas províncias alemãs a Leste do Elba e também sobre bolsas de mercadorias. Em 1894, tornou-se professor catedrático de economia na Universidade de Friburgo, transferindo-se em 1896 para a de Heidelberg.

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(O) Zero e o infinito, de Arthur Koestler

O Zero e o infinito, da autoria de Arthur Koestler, publicado em 1941, tornou-se um clássico pela maestria com que retrata o código ético do dirigente comunista. Esse tema adquiriu certa relevância devido ao que passou à história com o nome de “Processos de Moscou”. Trata-se do fato de que dirigentes do Estado Soviético, tornados mundialmente conhecidos como teóricos do marxismo, confessaram de público terem traído a Revolução Comunista, coonestando dessa forma o próprio fuzilamento, que era a punição conhecida. No livro em apreço, Koestler formula uma hipótese que, embora do ponto de vista literário se tratasse de um texto excepcional, não podia ser aceita facilmente. No contexto ocidental, parecia uma enormidade. O curioso é que viria a ter uma comprovação surpreendente, como será referido.

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