Venda de Livros
Definições Filosóficas

J-K-L-M-N-O

JANET, Paul

Paul Janet iniciou sua carreira como professor de filosofia da Faculdade de Strasburgo, em 1848, aos 25 anos de idade. A partir de 1863 ensina na Faculdade de Letras de Paris.

Janet cuidaria sobretudo de eliminar a possibilidade de aproximação entre ecletismo e misticismo, restaurando a grandiosidade do método histórico descoberto por Cousin, e que ficara obscurecida no período subseqüente à queda de Luiz Felipe (1848). Afirma taxativamente que a filosofia não repousa em nenhuma intuição do absoluto, mas consiste num saber do absoluto que é completamente humano e cujo progresso depende do desenvolvimento das ciências positivas. O procedimento posto em circulação por Cousin não consiste numa seleção mecânica do que há de comum em todas as doutrinas, mas na aplicação à filosofia de método dotado de plena objetividade. Por essa razão, sua obra é sobretudo a retomada do papel de Cousin como historiador, fazendo-o na consideração dos grandes temas filosóficos. Publicou livros sobre as causas finais; a dialética etc., dedicando ao mestre um desses textos (Victor Cousin e sua Obra, 1885). No fim da vida voltar-se-ia para o tema da introspeção em Psicologia e Metafísica (1897). Tinha 76 anos ao falecer em 1899.

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(O) Judaísmo antigo, de Max Weber

De modo extremamente perspicaz, Max Weber destacou o fenômeno do profetismo no seio do judaísmo antigo, para fazê-lo sobressair e avaliar seu significado no curso ulterior da história do Ocidente.

Com efeito, o profetismo ocorre tardiamente no antigo Estado Judeu, alguns séculos depois da consolidação e do apogeu do Estado monárquico unificado.

Em seguida à morte de Salomão (937 a.C.) e à divisão do Estado Judeu nos reinos de Judá (Norte e Centro) e Israel, na parcela restante, onde estava compreendida Jerusalém, notadamente o reino de Judá começa a sofrer a influência de outros cultos, verificando-se o arrefecimento da religião judaica. É expressivo desse estado de coisas o fato de que Amós, no reinado de Jerobão II em Judá (aproximadamente de 783 a 743 a.C.) se haja deslocado de Israel para pregar em Judá contra o santuário real. No mesmo ciclo, aparece o primeiro dos grandes profetas, Isaias.

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KANT, Immanuel

Immanuel Kant é o mais importante filósofo ocidental dos último séculos. Tal se dá porque coube-lhe definir como se deveria conceber a filosofia apta a substituir a Escolástica, dando conta da situação em face do surgimento de uma ciência física que colocava por terra a física antiga, aristotélica, cultuada na Idade Média. Ao fazê-lo instaurou uma nova perspectiva filosófica*. Além disto, fecundou por duas vezes o pensamento de sua época. Primeiro, dando surgimento ao idealismo alemão, que se considera como uma vertente essencial da Filosofia Moderna. E, segundo, quando se tratou de superar o positivismo que empolgou os espíritos em vários países, durante algumas décadas da segunda metade do século passado, que postulava o fim da investigação filosófica, desde que a ciência ocuparia todos os campos. Nos decênios subseqüentes promoveu-se o que foi denominado de “volta a Kant”, de que emergiu o neokantismo, que chegou a ser a corrente dominante na Alemanha, por volta da Primeira Guerra, com irradiação por toda parte, enterrando a pretensão positivista e fazendo de novo florescer a diversidade filosófica. Muitos estudiosos acreditam que a meditação de Kant deverá fecundar mais uma vez a filosofia ocidental, já que seria o instrumento para conceber uma ética que desse conta da perplexidade moral vigente no Ocidente neste fim de milênio.

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KAUTSKY, Karl

Karl Kautsky nasceu a 16 de outubro de 1854 em Praga, que então era parte integrante do Império Austro-húngaro e freqüentou a Universidade da capital (Viena). Filiou-se ao Partido Social Democrata Austríaco e tornou-se marxista sob a influência de Edward Bernstein, embora deste acabasse por divergir em muitos aspectos de sua crítica ao marxismo. De todos os modos, como Bernstein, considerava que a obra de Marx não deveria ser transformada em dogma. Contudo, opunha-se ao abandono daqueles pontos em que fosse mais nítido o caráter revolucionário do movimento. Assim, ainda em 1900 considerava que os sociais democratas não deveriam aspirar a “uma participação no poder executivo dentro da sociedade burguesa”. Como a prática política da social democracia enveredasse por outro caminho, deixou de acentuar as suas divergências com o revisionismo. Acabaria mesmo com este identificado, graças entre outras coisas aos brutais ataques que Lenine lhe dirigiu, inclusive batizando-o de Renegado Kautsky, com o que, sem sombra de dúvida, atribuía conotação religiosa ao movimento comunista.

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KIERKEGAARD

Soren Kierkegaard (1813-1855) nasceu em Copenhague e estudou teologia na Universidade ali localizada, concluindo o curso em 1841, com a elaboração de uma tese sobre o conceito de ironia. Prosseguiu em seus estudos na Universidade de Berlim, onde freqüentou as aulas de Schelling.

Kierkegaard investiu contra as abstrações do hegelianismo – e do idealismo alemão, em geral –, contrapondo-lhe o caráter concreto da existência singular. Embora distanciado dos grandes centros universitários e sem sequer dispor de uma cátedra, exclusivamente pelo vigor de sua mensagem, tornar-se-ia uma presença marcante na filosofia contemporânea, pela grande influência que suas idéias exerceram nas correntes existencialistas.

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LAVOISIER, Antoine-Laurent

A característica distintiva essencial da ciência moderna consiste na introdução da medida. Expressando a mudança em relação à física aristotélica, baseada na busca do traço qualitativo distinto dos diversos corpos, na Escola Politécnica do Rio de Janeiro adotou-se a seguinte divisa: “Só se pode conhecer bem um fenômenos quando é possível exprimi-lo por meio de números”. – Kelvin*.

Ainda que os princípios da nova física estivessem presentes na obra de Galileu (1564/1642), sua formulação acabada seria devida a Isaac Newton (1642/1727), nos Princípios da filosofia matemática da natureza (1687). Entretanto, no que se refere à química, o processo de adoção de idênticos parâmetros seria relativamente lento. Do ponto de vista em que nos situamos, o momento mais destacado seria o aparecimento, em 1789, do Tratado elementar de química, de Antoine-Laurent Lavoisier (1743/1794). O título completo da obra incluía esta indicação: “apresentado numa ordem nova e segundo as descobertas modernas”, o que permite bem situar o propósito maior, que consistia em reorientar a pesquisa no sentido da obtenção de resultados mensuráveis. Lavoisier ainda supõe que o calor seria proveniente de uma substância autônoma, que denominou de calórico. O passo seguinte seria dado por D. I. Mendeleev (1834/1907) que elaborou uma tábua racional e lógica dos elementos (A relação entre as propriedades e os pesos atômicos dos elementos, 1869).

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LEIBNIZ

Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) nasceu em Leipzig, Alemanha, tendo estudado filosofia e matemática em universidades alemãs. Adquiriu grande nomeada por várias circunstâncias. A primeira delas pelo fato de que se tornou um diplomata de enorme influência nas principais cortes européias. Seu empenho consistia sobretudo em lograr a unificação das nações cristãs para expulsar os turcos da Europa, sabendo-se que chegaram às portas de Viena e ocuparam desde a Romênia ao conjunto de territórios reunidos sob a denominação genérica de Balcans. Segue-se o desenvolvimento que proporcionou à matemática, considerando-se que sua doutrina física chegou a ser uma alternativa à física aristotélica. Graças a isto foi escolhido para presidir a Sociedade de Ciências de Berlim. Nesse particular, disputou abertamente a primazia com partidários da física newtoniana. Finalmente, formulou os princípios de um novo sistema filosófico que imaginava destinado a alcançar a grandiosidade da Escolástica. Devido ao fato de que tais princípios achavam-se dispersos em diversos textos, Christian Wolff (1679-1754) – professor de filosofia em Halle desde os começos do século, prestigiado na Corte prussiana – assumiu a responsabilidade de dar-lhes feição sistemática. E assim a nova proposta filosófica veio a ser conhecida como sistema Wolff-Leibniz, conquistando a adesão das principais universidades alemãs. É esse sistema que Kant tem em vista na sua obra crítica.

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LENINE, Vladimir Ilitich

Vladimir Ilitich Ulianov (1870-1924) era de família nobre e passou a usar o nome de Lenine durante a luta contra o czarismo. Ingressou jovem nas fileiras da social-democracia, designação então adotada pelos socialistas-marxistas, e provocou no seio destes uma cisão que deu origem ao Partido Bolchevista. Inexistindo na Rússia Czarista condições para a organização de agremiação parlamentar, interpretou o marxismo como advogando exclusivamente a tomada violenta do poder. Além disto, introduziu no legado de Marx uma alteração substancial ao admitir a possibilidade do socialismo num único país, enquanto Marx entendia que somente ocorreria simultaneamente em toda a Europa. Devido a tais posicionamentos rompeu radicalmente com a social-democracia européia, organizando uma facção autônoma, que se considerava majoritária. Significando maioria a palavra bolchevique, acabaram conhecidos sob essa denominação.

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Leviatã, de Hobbes

A obra Leviatã, de Thomas Hobbes (1588-1679), aparecida em 1651, embora estivesse marcada pela circunstância – por achar-se ao serviço daqueles grupos que, na Inglaterra, se opunham à autonomia do Parlamento e buscavam assegurar a sobrevivência da monarquia absoluta – conseguiu assegurar-se uma posição marcante no processo de constituição da moderna meditação sobre a política, na medida em que elaborou alguns conceitos fundamentais e que, por isto mesmo, teriam uma longa vigência.

O livro está marcado pelo novo entendimento, emergente em seu país de origem, segundo o qual o conhecimento louva-se da experiência. Dedica-se, portanto à análise da sociedade e, nesta, toma ao poder como uma categoria-chave. Acham-se associados ao poder tanto a riqueza como o sucesso, a reputação, a honra, etc. “A beleza é poder, escreve, pois sendo uma promessa de Deus, recomenda os homens ao favor das mulheres e dos estranhos”. As ciências têm o seu poder limitado “porque não são eminentes e, conseqüentemente, não são reconhecidas por todos”. Contudo, “o maior de todos os poderes é aquele que é composto pelos poderes de vários homens, unidos por consentimento numa só pessoa, natural ou civil, que tem o uso de todos os seus poderes na dependência de sua vontade: é o caso do poder do Estado”.

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(O) Livre Arbítrio, de Santo Agostinho

O Livre Arbítrio tornou-se um dos mais renomados textos de Santo Agostinho. Acha-se subdividido em três livros. O primeiro está dedicado à comprovação da tese de que o pecado provém do livre arbítrio; o segundo contém uma demonstração da existência de Deus, tema que absorveria a atenção da filosofia católica, sobretudo na Idade Média; e, o terceiro em que se detém na exaltação da obra de Deus e aborda também questões que lhe pareceram acharse correlacionadas à ordem divina e que formam uma lista extensa (o que é preciso crer e que tipos de erros prejudicam a nossa felicidade; a morte prematura das crianças e o sofrimento que padecem não são contrários á ordem universal; o primeiro pecado do homem e o demônio; foi o homem criado em estado de sabedoria ou de insensatez; etc.).

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LOCKE, John

Tendo concluído o curso de Medicina aos 34 anos, Locke tornar-se médico de Anthony Ashley Cooper, Lord Shafstesbury (1621-1683), que foi o grande articulador das hostes liberais, no atribulado período em que viveu. Logo tornar-se-ia seu assessor e íntimo colaborador. Nessa condição, participou, em 1669, da elaboração de uma Constituição para a Carolina, colônia inglesa na América do Norte que recebera grande contingente de puritanos emigrados nas fases de perseguição religiosa e guerra civil.

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LUCRÉCIO

Personalidade destacada na Roma Antiga, tendo vivido entre 92 e 55 antes da Era Cristã, Lucrécio é considerado como um pensador importante na história da filosofia, sobretudo por ter ajudado a preservar os ensinamentos do filósofo grego Epicuro (341-270 a.C.). Na interpretação de Lucrécio, a doutrina daquele pensador – conhecida como estoicismo – corresponde a uma nova sabedoria apta a substituir as religiões tradicionais. Para tanto afirma que os deuses não se ocupam das coisas deste mundo. A par disto, juntamente com Cícero, lançou as bases da linguagem filosófica em latim. Preservou-se de sua autoria De rerum natura (Da natureza das coisas), ao que se supõe graças a Cícero, que providenciou a multiplicação do original. No Livro I dessa obra, afirma: “E também não ignoro que é bem difícil explicar em versos latinos as obscuras descobertas dos gregos, sobretudo porque se faz mister empregar palavras novas, dada a pobreza da língua e a novidade do assunto”. (Coleção Os Pensadores, Abril Cultural, vol. V, 1ª ed., 1973, p. 41).

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LUTERO

O iniciador da Reforma Protestante chamava-se Martim Lutero (1483-1546). Nasceu e viveu numa região que formava um dos principados que compunham a Confederação Alemã, então incluída no que se chamava genericamente de Alemanha Central, que no último pós-guerra integrou-se à Alemanha Oriental. Estudou no mosteiro agostiniano de Erfurt, ordenando-se sacerdote em 1507, aos 24 anos. Mais tarde, tornou-se professor de teologia na Universidade de Wittenberg*.

Em 1517, aos 34 anos, Lutero elaborou um documento que passou à história com a denominação de “95 teses sobre indulgências”. O incidente prende-se ao seguinte: o arcebispado de Magdeburgo, ao qual estava subordinado, era exercido por um jovem príncipe de 27 anos, Albrecht von Hohenzollern. Como era de praxe na época, ao assumir aquela função devia pagar ao Vaticano uma soma considerada elevada (trinta mil florins). Albrecht levantou esse dinheiro junto à casa bancária Fugger, tendo sido autorizado pelo Vaticano a promover uma coleta de dinheiro entre os fiéis que fosse suficiente: a) para repor o empréstimo; b) para facultar quantia equivalente, a ser encaminhada a Roma, destinando-se à edificação da Catedral de São Pedro; e c) atender às despesas da própria coleta. Esta ficou a cargo de um dominicano chamado Johan Tetzel, com cerca de 52 anos, que dispunha de uma carruagem, três acompanhantes e um criado. O prazo para levantamento do dinheiro foi fixado em oito anos. O Arcebispo Albrecht foi nomeado Comissário das Indulgências para toda a Alemanha Central.

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MAIMÔNIDES

Moisés Maimônides é uma das maiores figuras do pensamento judaico, a ponto de que, conforme registra J. Guinsburg, (Do estudo e da oração. Súmula do pensamento judaico. São Paulo, Perspectiva, 1868) no seu sepulcro, em Israel, gravou-se este epitáfio, que traduziria o pensamento de seu povo: “De Moisés a Moisés não houve nenhum como Moisés”.

Moisés Maimônides nasceu em Córdoba, Espanha, sede do governo árabe na província, em 1135. Seu pai era juiz da Corte Judaica local e, entre os ancestrais, encontram-se eruditos renomados. Iniciou seus estudos com o pai, profundo conhecedor do Talmud e, em geral, das conquistas científicas da época.

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(O) Mal estar na civilização, de Freud

O mal estar na civilização, publicado por Sigmund Freud em 1930, é parte do conjunto de textos em que procura aplicar a psicanálise à sociedade, a começar do livro Além do princípio do prazer (1920). Freud impressionou-se vivamente com a matança provocada pela Primeira Guerra Mundial. Pareceu-lhe que deveria haver, na pessoa humana, algo que se contrapusesse ao Eros, que era na sua doutrina o princípio da sobrevivência. Designou-o como Tanatus, termo grego, a exemplo do precedente, que seria “o princípio da morte”.

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MANDEVILLE, Bernard

Bernard Mandeville nasceu em Roterdam, em 1670. Ingressou na Universidade de Leyden muito jovem, aos 15 anos, formando-se em medicina em 1694, quando tinha apenas 21 anos. Seguiu a mesma especialidade de seu pai (neurologia e aparelho digestivo). Em meados da década esteve na Inglaterra para aperfeiçoar seus conhecimentos de inglês. Segundo seus biógrafos, encantou-se com o país, achando sua maneira de ser muito agradável. Em fins do decênio transferiu-se em definitivo para Londres, onde viveu até a morte, em 1733, aos 63 anos de idade. Na capital inglesa viria a ser médico bem sucedido.

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Manifesto Comunista, de Marx

O Manifesto Comunista, publicado em 1848, foi escrito por Marx e Engels para o Congresso (secreto) da Liga Comunista (definida como “associação internacional de operários”), realizado em Londres em novembro de 1847. Considerando o sucesso que veio a alcançar e a importância que lhe tem sido atribuída na história mundial subseqüente, é um documento relativamente pequeno porquanto tem trinta páginas, o que de todos os modos seria excessivo para um “manifesto”. Acredita-se que somente a Bíblia teria alcançado maior difusão no Ocidente.

A afirmativa inicial, justificativa do texto, é a de que o espectro do comunismo rodeava a Europa, provocando a reação de todas as potências, desde o Papa ao Czar, passando pelos liberais e conservadores, sendo necessário que “os próprios comunistas expliquem suas idéias, seus fins, suas tendências, opondo à lenda do comunismo um manifesto do próprio partido”.

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MAQUIAVEL

Em 1498, aos 29 anos de idade, Niccolò Machiavelli passa a ocupar uma importante função no governo de Florença, na qual permanece até 1512. Nesse ano, cai o governo republicano da cidade e os Medici voltam ao poder. Em 1513, acusado de participar de um conspiração contra os novos governantes, é preso e torturado. Reconhecida a sua inocência é libertado. Retira-se da vida pública mas acaba prestando certa colaboração aos Medici. É nessa época que escreve O Príncipe. Quando o dá por concluído, em 1515, tem 46 ano. Até a morte, em 1527, aos 58 anos, desenvolverá grande atividade intelectual. Pouco antes de falecer, assiste à restauração da República Florentina, que irá hostilizá-lo pelos vínculos que chegara a estabelecer com os Medici.

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MARITAIN, Jacques

Francês de nascimento (1882), Jacques Maritain chocou-se com o ambiente cientificista predominante da Universidade (Sorbonne) no começo do século XIX e passou a simpatizar com o pensamento filosófico de Bergson, na medida em que este procurava inserir o espírito no âmago das teorias científicas, retirando-lhes o caráter puramente mecanicista. Na Universidade teve uma colega de origem russa (Raissa), com a qual casou-se em 1904. Dois anos depois ambos se converteram ao catolicismo. Maritain então rompe com o bergsonismo. Iniciou carreira como professor de filosofia no ensino secundário e no Instituto Católico.

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MARX, Karl

Karl Marx (1818-1883) estudou na Faculdade de Direito da Universidade de Bonn e, em seguida, na Universidade de Berlim, onde se doutorou em 1841. Além de ter estudado com discípulos destacados de Hegel, na Faculdade de Direito, em Berlim freqüentou o grupo dos jovens hegelianos de esquerda. Além desse ambiente hegeliano em que formou seu espírito, há duas influências assinaláveis: a do seu amigo Mosse Hess, socialista radical de Colônia, com o qual colaborou na edição de um jornal, e logo a seguir, no seu exílio francês, as idéias de Saint-Simon (1760-1825). Este concebeu um regime planificado e tecnocrático, a ser implantado pela classe industrial, que chamou de socialismo. Embora apresentado como científica, sua doutrina compreendia uma nova Religião. De Mosse Hess, Marx herdaria o cacoete de que as transformações sociais somente ocorreriam de forma violenta, convicção que está presente na Liga Comunista, que funda com Engels, em 1847, e no Manifesto Comunista, que os dois publicam em 1848. Em 1849, chega a Londres, onde viveria pelo resto da vida.

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Meditações, de Marco Aurélio

As Meditações, do imperador romano Marco Aurélio são consideradas como magistral expressão da atitude estóica diante da vida, atitude essa que passou a constituir uma faceta da cultura ocidental. O estoicismo consiste numa doutrina moral surgida na Grécia, cujas idéias centrais viriam a ser transmitidas por historiadores e comentaristas romanos, a partir dos quais reuniram-se o que se convencionou denominar de fragmentos. Graças a tal expediente, os autores mais conhecidos são Zenão de Cicio (340/164) e seus seguidores Cleanto (século III antes de Cristo) e Crisipo (280/208). Em geral, para conhecimento da doutrina toma-se por base os autores romanos: Sêneca (nascido por volta do início da Era Crfistã e falecido em 65); Epicteto (50?/125-130) e Marco Aurélio (121/180).

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Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

Brás Cubas, como o Conselheiro Aires, é um tipo humano que combina ceticismo e uma certa melancolia mas sem concessões à amargura, na maioria dos casos. Pode-se dizer que, no fundo, aceita sem rebelar-se a crueza da vida. Quando jovem, sua grande paixão seria uma mulher de vida fácil. “...Marcela não possuía a inocência rústica, e mal chegava a entender a moral do código. Era boa moça, lépida, sem escrúpulos, um pouco tolhida pela austeridade do tempo, que lhe não permitia arrastar pelas ruas os seus estouvamentos e berlindas; luxuosa, impaciente, amiga do dinheiro e de rapazes. Naquele ano, morria de amores por um certo Xavier, sujeito abastado e tísico – uma pérola.” A batalha pela conquista de Marcela é um primor de criação literária. Eis como descreve o desfecho: “Teve duas fases a nossa paixão, ou ligação, ou qualquer outro nome, que eu de nomes não curo; teve a fase consular e a fase imperial. Na primeira, que foi curta, regíamos o Xavier e eu, sem que ele jamais acreditasse dividir comigo o governo de Roma; mas, quando a credulidade não pôde resistir à evidência, o Xavier depôs as insígnias, e eu concentrei todos os poderes na minha mão; foi a fase cesariana. Era meu o universo; mas, ai triste! não era de graça, foi-me preciso coligir dinheiro, multiplicá-lo, inventa-lo.” No princípio, o pai até que admitiu os gastos. Restringiu-os em seguida e acabou por assustar-se com as dívidas que o rapaz acumulava. Meteu-o à força num navio e o mandou (inconsolável) estudar em Coimbra. De volta, muitos anos depois, num encontro casual, depara-se com Marcela, transformada numa mulher de “rosto amarelo e bexiguento ... a doença e uma velhice precoce destruíram-lhe a flor das graças”. Profundamente chocado, começa a vasculhar o passado: “Não era esta certamente a Marcela de 1822; mas a beleza de outro tempo valia uma terça parte dos meus sacrifícios? Era o que eu buscava saber, interrogando o rosto de Marcela. O rosto dizia-me que não; ao mesmo tempo, os olhos me contavam que, já outrora, como hoje, ardia nela a flama da cobiça. Os meus é que não souberam ver-lha; eram olhos de primeira edição.”

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MENDEL

George Mendel nasceu em 1822, na Silésia, que então era parte do Império Austro-Húngaro. Seus pais eram pessoas sem posse (camponeses) e sua tentativa de freqüentar a Universidade não se sustentou, por falta de recursos. Decidiu-se, então, pela carreira eclesiástica, tornando-se monge. Pertenceu ao Mosteiro situado nas proximidades de Brno, cidade hoje integrada à República Tcheca. Encarregado de cuidar do jardim do Mosteiro, iniciou uma longa e sistemática série de experimentos, cruzando diversos tipos de plantas. Publicou relato circunstanciado de tais experimentos, e as conclusões daí inferidas, na revista da Sociedade Natural de Brno. Esse texto intitulou-se Investigação sobre os híbridos vegetais. Tal se deu em 1867. Ainda que se suponha haja enviado cópia aos cientistas que então se ocupavam do assunto – e provavelmente ao próprio Darwin –, ninguém lhe deu atenção. Depois dessa data foi escolhido Abade do Mosteiro o que o teria absorvido integralmente. O certo é que não deixou outros textos. Faleceu em 1884, aos 62 anos.

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MENDELLEV

Dimitri Ivanovitch Mendeleev (1834/1905), químico russo formado em Paris, integrou-se à pesquisa destinada a introduzir, em definitivo, a medida no estudo dos processos químicos. O avanço básico naquela direção era devido a Lavoisier (1743/1794), que denominara de oxigênio à substância que, juntamente com o hidrogênio, encontrava-se na água e, conforme descobrira, achava-se numa série numerosa de reações químicas. Ocorreu a Mendeleev ordenar os compostos diversos, até então conhecidos, numa progressão vertical, desde que dispusessem de um elemento em comum. E, na horizontal, aqueles derivados do elemento diverso, situado verticalmente. Sua hipótese estaria comprovada se a pesquisa subseqüente conseguisse isolar aqueles elementos que preencheriam os claros. Apresentou a sua descoberta á comunidade científica numa obra que intitulou de Tratado de Química (1869), logo traduzido ao alemão, numa época em que nesse país tinha lugar a experiência pioneira de radicar na Universidade a pesquisa científica. Tal iniciativa estimulou a investigação na direção sugerida, em diversos círculos científicos europeus, em especial na Alemanha. Rapidamente foram preenchidos três claros, o que consagrou em definitivo aquilo que passou a ser denominado de Tábua Periódica dos Elementos. Subseqüentemente, a teoria sofisticou-se grandemente obedecendo ao que se definiu como sendo o peso atômico de cada um deles. A tese central formulou-se deste modo: ordenados segundo o seu peso atômico, os elementos apresentam periodicidade de propriedades.

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(A) Metafísica de Aristóteles

A Metafísica de Aristóteles inclui-se entre os livros que exerceram maior influência na formação da cultura ocidental. Trata-se de um esforço sistemático de impulsionar o exame das questões tendo por escopo alcançar o máximo de generalidade. Tratando das causas dos eventos, está interessado em saber o que se pode dizer das causas em geral. Achando-se o mundo povoado de seres, não se detém nesta constatação. Quer saber o que se poderia dizer do ser em geral.

A Metafísica foi organizada pelos discípulos de Aristóteles, não se incluindo entre as obras que editou diretamente. Tomando por base, provavelmente, aulas expositivas há no livro muita repetição e também temas que deram origem a controvérsias. Subdivide-se em 14 livros de tamanho desigual e contendo, como se mencionou, algumas repetições.

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MILL, John Stuart

John Stuart Mill, nasceu em Londres, em 1806. Filho de James Mill (1773-1836), espécie de herdeiro da proposta filosófica e da proposta política de Jeremy Bentham (1773-1832) foi preparado para dar continuidade a essa obra. Costuma-se arrolar a produção desses autores sob a denominação de utilitarismo, de grande popularidade e permanência no mundo anglo-saxão. A doutrina em causa afirma a possibilidade de estruturar-se o estudo da política em bases estritamente científicas. No plano da ação política batia-se pelo que veio a ser denominado de “democratização da idéia liberal”, movimento então conhecido como radical, designação que seria adotada por muitos dos partidos criados na época.

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Mischné Torá, de Maimônides

Mischné Torá, de Moisés Maimônides (1135-1204), foi concluído pelo autor em 1180, tarefa que lhe exigiu muitos anos. Para compreender devidamente o alcance e o significado dessa obra verdadeiramente monumental, cumpre ter presente que os judeus não tomam o Velho Testamento como um bloco único, devendo-se essa praxe aos cristãos, graças ao que se denominou de Novo Testamento. Na tradição judaica, os cinco livros do Pentateuco formam um corpo autônomo, designado como Torá (a Lei), na qual a figura central é Moisés. Estuda-se os 613 mandamentos ali contido, que Maimônides subdividiu em 248 preceitos positivos e 365 preceitos negativos, isto é, proibições. Segundo aquela tradição, a Torá foi ditada por Deus a Moisés em torno de ano 1200 antes de Cristo, logo depois do êxodo do Egito. Os demais livros do que chamamos de Velho Testamento estão agrupados deste modo; os 21 iniciais constituem o Nevim, considerado como o relato histórico do povo de Israel desde a morte de Moisés à destruição do Primeiro Templo e o chamado exílio da Babilônia (586 antes de Cristo). Os textos subseqüentes constituem o Katuvim, reunindo relatos históricos e de outra índole (o livro de Job, por exemplo).

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(Os) Miseráveis, de Victor Hugo

Os Miseráveis foi escrito no período em que Victor Hugo exilou-se da França, por encontrar-se em oposição ao governo de Luís Bonaparte. Para elaborá-lo mobilizou grande número de documentos nos quais se baseou para criar determinados personagens.

O eixo central do romance é a história de Jean Valjean, condenado às galés, que foge e consegue tornar-se empresário devotado à prática do bem. Move-lhe uma perseguição implacável o protótipo do policial enquadrado e desatento às circunstâncias morais envolvidas na situação persecutória: Javert. Os dois tipos tornaram-se figuras marcantes da literatura ocidental, na esteira do que produziu Shakespeare e outros grandes mestres que o precederam.

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MOLIÈRE

Molière (1622/1673) é o nome artístico de Jean-Baptiste Poquelin. Considera-se ter sido o autor que conseguiu consagrar a comédia como gênero teatral. Embora as comédias de Shakespeare ainda hoje sejam bem sucedidas, de certo modo acabam sendo ofuscadas pela genialidade de suas tragédias. Além disso, as comédias de Molière tinham abertamente o propósito de criticar opiniões e costumes da alta sociedade de sua época. Com o passar do tempo, contudo, tiveram o mérito de perder aquela pretendida característica circunstancial para fixar personagens e situações que simplesmente retratam a condição humana.

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Moll Flanders, de Daniel Defoe

A intenção moral de Defoe ao escrever este livro é enfatizada abertamente desde o início. No "Prefácio do Autor", simula ter recebido um manuscrito, como era comum entre os novelistas. Assinala achar-se "escrito numa linguagem muito semelhante à de qualquer prisioneiro de Newgate e em nada recordava a de uma humilde arrependida, como parece ter sido mais tarde." Explica-se: "Se uma mulher que se corrompeu na juventude, ou, mais ainda, que é fruto da devassidão e do vício, deseja contar suas práticas viciosas, descendo aos pormenores das ocasiões e circunstâncias que inicialmente a perverteram e esmiuçando seus progressos no mundo do crime, realizados ao longo de três vintenas de anos, é claro que um escritor terá dificuldade em tornar decentes suas memórias, de forma a não ensejar, especialmente aos leitores maldosos, a ocasião de se voltarem contra ele próprio". Ainda que haja tomado as precauções necessárias ao rever o original, "para se relatar a vida de uma corrupta e seu arrependimento, é preciso que se apresentem os trechos menos inocentes com a mesma crueza da história verídica, até onde seja suportável, a fim de que ilustre ou ressalte o trecho do arrependimento que é com certeza o melhor e o mais belo, caso venha apresentado espirituosa e vivamente".

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Monarquia, de Dante Aleghieri

O grande poeta da Idade Média, Dante Aleghieri (1265-1321), participou do debate político de seu tempo. Naquele período histórico, ameaçada em sua sobrevivência pelo predomínio na Europa de invasores pagãos - e no empenho de convertê-los ao cristianismo, a Igreja Católica acabou fazendo com que aquele ciclo civilizatório desse à cultura feição predominantemente religiosa. A salvação da alma tornou-se o centro da vida e o próprio poeta colocou-se ao serviço daquela missão. De todos os modos, contudo, a discussão política acabou por emergir, sobretudo na medida em que se criam centros universitários onde começa a penetrar o direito romano. o estudiosos dessa disciplina tendiam a sustentar a autoridade dos monarcas em matéria temporal, vale dizer, inclinam-se pela doutrina da separação entre os dois poderes. Enquanto os estudiosos e codificadores do Direito Canônico afirmam a supremacia do Papado, cabendo-lhe consagrar a investidura do Monarca.

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(A) Moral, de Paul Janet

A proposta de Janet no tocante à fundamentação da moralidade seria melhor sucedida que a de seus antecessores na Escola Eclética Francesa, notadamente Biran e Cousin. Suas teses principais são resumidas adiante, com base no texto traduzido ao português e que se publicou como parte do Tratado Elementar de Filosofia. Rio de Janeiro, 1866, tomo II.

Paul Janet critica acerbamente o utilitarismo em suas várias versões, sobretudo na sua expressão contemporânea (Stuart Mill) e denomina-o moral de interesse. Escreve: “Sendo distinto do prazer e da utilidade o bem moral ou honesto, não pode a lei da atividade humana ser procurada nem na paixão, que tem por objeto o prazer, nem no interesse, bem entendido, que tem por objeto o útil, nem finalmente no sentimento. Essa lei existe em outro princípio de ação que se chama o dever”(ed. cit., p. 77).

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Moral positiva, de Pierre Lafitte

Pierre Lafitte nasceu na França em 1823, tendo sido professor de matemática. Em 1892 seria nomeado professor de filosofia da ciência no Collège de France. Aderiu muito cedo ao positivismo de Augusto Comte. Essa doutrina era caudatária da hipótese de que, com o aparecimento da física moderna, abria-se o caminho à elaboração de uma doutrina da sociedade que culminaria com moral científica. Não tendo conseguido atrair para a sua doutrina o professorado da área científica, Comte acabaria procurando restaurar a religião, na esperança de lograr apoio para a reforma social que preconizava. Inspirando-se na Idade Média imaginava restaurar um Poder Espiritual capaz de eliminar a chamada "anarquia moderna". Essa inflexão provocaria uma cisão profunda no positivismo, entre os que somente aceitavam a filosofia da ciência e os que preferiam a chamada "religião da humanidade". Comte criara uma Igreja, com o respectivo Apostolado, Antes de morrer designou a Lafitte como seu sucessor e sacerdote da Igreja*. Caberia a Lafitte a tarefa de elaborar a moral positiva, preconizada por Comte. Faleceu em 1903, aos 80 anos de idade.

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NEWTON, Isaac

Isaac Newton nasceu no interior da Inglaterra em 1642, numa família de agricultores que muito relutou em permitir que seguisse carreira universitária, ao invés da tradição familiar. Contudo, acabou matriculado no Trinity College, em Cambridge, em 1661, aos 19 anos. Sendo pobre, sustentava-se realizando trabalhos domésticos para os colegas. Deveria obter o grau de mestre em 1665 mas nesse ano a Universidade não funcionou devido à peste bubônica que afetou a Inglaterra. Tal se deu, entretanto, em 1668. No ano seguinte, o titular do curso de matemática, Isaac Barrow, renunciou à cadeira em seu favor. Barrow apreciava a vocação matemática do discípulo. Assim, tornou-se professor em Cambridge aos 26 anos de idade.

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NISBET, Robert

Nascido em 1913, é Professor Emérito da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, tendo concluído o doutorado na Universidade da Califórnia em 1939. Durante a longa e fecunda carreira docente posterior, atuou sobretudo nos estados da Califórnia e do Arizona. Presentemente integra o staff acadêmico do American Enterprise Institute, com sede em Washington, que abriga na área da ciência política nomes como Michael Novak e Irving Kristol. Autor de diversos livros, entre estes A tradição sociológica (1966); Mudança social e história (1969); O declínio da autoridade (1975); História da Idéia de Progresso (1980), além de Os filósofos sociais (1973), que se considera como uma das obras mais representativas da fecundidade da fase contemporânea da sociologia americana. De toda a sua extensa obra, somente teve traduzidos ao português os dois últimos livros (Editora da Universidade de Brasília, 1982).

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Novum Organum, de Francis Bacon

O Novum Organum (1620) é considerado como a ata inaugural da filosofia inglesa moderna. Enquanto no continente, pouco mais tarde, com René Descartes (1596/1650), a busca de uma filosofia que fosse capaz de substituir o aristotelismo iria partir do raciocínio dedutivo, Francis Bacon (1561/1626) reabilitará o prestígio da indução e, correlativamente, da experiência. No plano da elaboração filosófica, a Idade Média iria notabilizar-se pela busca incessante da precisão conceitual, prescindindo completamente da invocação de indicadores provenientes da experiência, por considerar que a indução não era boa conselheira, na medida em que nunca poderia esgotar a série completa desse ou daquele exemplo suscitado.

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Odisséia, de Homero

Do mesmo modo que a Ilíada, a Odisséia subdivide-se em 24 Cantos. Ainda que esta última tenha por objeto o regresso, à sua terra natal (Ítaca), de Ulisses (Odisseu, em grego), um dos principais heróis da guerra de Tróia (objeto do primeiro livro), as duas obras são complementares. A Ilíada trata de um incidente relacionado àquele conflito e o deixa inconcluso. O desfecho seria proporcionado por uma iniciativa de Ulisses. Consistiu em construir um grande cavalo de madeira, no seu interior esconder guerreiros gregos e simular a retirada dos navios, fazendo crer que estariam regressando à Grécia. Os troianos introduziram o cavalo no interior da muralha, permitindo aos gregos destruir a cidade, e conquistar a vitória. Toda essa trama não figura na Ilíada mas na Odisséia. É referida uma primeira vez no Canto VII, por um cancioneiro (Demódoco) e, depois, pelo próprio Ulisses (Canto XI). Nesse canto, quando Ulisses visita Hades (local onde se encontram as alma dos mortos) fica-se sabendo da morte de muitos dos participantes da guerra de Tróia, entre estes Aquiles. Também o relato da sorte de Agamenon, comandante das tropas que, de regresso à Grécia, foi morto pelo amante da mulher, figura na Odisséia. A história de Agamenon e descendência, presente na tragédia grega, foi amplamente popularizada no Ocidente.

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(O) Ópio dos intelectuais, de Raymond Aron

O Ópio dos intelectuais, de Raymond Aron, apareceu em 1955 e representou uma tomada de posição diante da influência marxista na França, marcando também um certo direcionamento da obra do autor. Nos anos trinta, preparou-se para especializar-se em filosofia da história, com o que se habilitava a alcançar um lugar de destaque no magistério. Veio a guerra. Atuou na resistência. Dirigiu um jornal que tinha o propósito de manter elevada a moral dos franceses perante o ocupante alemão. Finda esta, retornou ao magistério mas logo se deu conta de que a derrota da ameaça nazista não significava tranqüilidade para a Europa diante do expansionismo soviético. Vivendo no meio intelectual, considerando-se, como todos os outros, homem de esquerda*, impressionou-o vivamente o caráter religioso que assumira a adesão ao marxismo, o que, no seu entendimento, acabaria predispondo a sociedade francesa à capitulação perante a agressividade dos russos, a exemplo do que tivera oportunidade de assistir em relação à Alemanha hitlerista.

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(A) Origem da desigualdade, de Jean-Jacques Rousseau

O título completo é o seguinte: Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, livro que Rousseau publicou em 1755. Indica que começou a meditar sobre o tema dois anos antes, inspirando-se numa proposição da Academia de Dijon, entidade da qual merecera um prêmio em 1750. O interesse pela questão da desigualdade será o ponto de partida de sua obra política.

Para Rousseau, quando se instaurou a propriedade, à qual geralmente se atribui a desigualdade, outros passos deveriam ter sido dados naquela direção. Nesse investigação parte da suposição de que existiriam dois instintos básicos, presentes no “homem natural”, isto é, anterior à sociedade. O primeiro seria o instinto de conservação. O segundo conforme suas próprias palavras, “nos inspira uma repugnância natural a ver perecer ou sofrer qualquer ser sensível, principalmente os nossos semelhantes”. No estado da natureza não se poderia falar em virtudes ou vícios. Essa avaliação é posterior e nos permite, a partir da presença daqueles instintos, verificar que o homem é bom por natureza, tem uma inclinação social sadia e a desigualdade natural não os afetava. Foi a vida em sociedade que alterou esse quadro.

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