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(A) Fábula das abelhas, de Mandeville A primeira versão de A fábula das abelhas, de Bernard Mandeville, apareceu em 1714. Sucessivamente refundido e ampliado, o livro passou a ser editado em dois volumes a partir de 1732. Contém uma crítica decisiva à obra de Anthony Ashley Cooper, Lord Shafsterbury e contribuiu enormemente no sentido de que se desse preferência ao debate teórico, ao invés de ater-se à pregação moral, na ilusão de que, por este modo, seria possível reformar a sociedade.
Fábulas, de La Fontaine Jean de La Fontaine (1621/1695) viveu no tempo de Luís XIV, quando a França registra grande esplendor literário, notadamente na tragédia (Cornele e Racine), na comédia (Molière) e no teatro. Demorou muito a que fosse admitido no restrito grupo de protegidos do Rei mas acabou por alcança-lo, após tornar-se respeitável como autor dos Contos e Novelas em versos. Contudo, o que lhe deu notoriedade seriam as Fábulas. Foi admitido á Academia Francesa em 1684, aos 63 anos.
Fausto, de Goethe O poema Fausto é considerado como uma obra prima da literatura alemã. Por sua extensão – mais de doze mil versos que, numa edição normal, ocupam em torno de 450 páginas – tornou-se muito difícil de traduzir. Veio a ser conhecido na Europa Ocidental graças á versão do escritor francês Gerard de Nerval, em 1828 – cerca de vinte anos após a edição alemã --, que corresponde apenas aos versos do que seria propriamente a Primeira Parte, considerado o adequado encadeamento da história, e também sem os episódios correlatos introduzidos pelo autor e sem os dois primeiros atos da Segunda Parte (incompleta na primeira edição). Ainda assim, Goethe a aprovou. As traduções ao português oscilaram entre a tentativa de preservar a versificação e a preferência por fazê-lo em prosa. Consideradas aquelas aparecidas no Brasil e em Portugal, chegam a quase dez. O maior esforço para traduzir em versos, procurando ao mesmo tempo preservar a elegância do estilo do original, seria devido a Jenny Klabin Segall (1901/1967), esposa do renomado pintor Lasar Segall. Seu trabalho seria louvado por estudiosos como Antonio Houaiss e Sérgio Buarque de Holanda. É a edição que integra a Coleção “Grandes Obras da Cultura Universal”, da Editora Itatiaia.
(O) Federalista O Federalista corresponde à coletânea de artigos publicados em 1787 para defender o projeto de Constituição que deveria formalizar a união entre os estados americanos e definir as suas regras. No relacionamento precedente com a Inglaterra, cada estado o fazia diretamente. Quando começaram as disputas com a Metrópole na década anterior, convocou-se um Congresso que declarou guerra à Inglaterra e terminou por proclamar a Independência, em 1776. A guerra prolongou-se durante cinco anos e os ingleses somente se renderam em 1783. Embora a reunião congressional dos estados tivesse recomendado que se preparassem as bases para discutir se as ex-colônias permaneceriam todas unidas ou se formariam mais de uma confederação, essa discussão foi postergada até a derrota dos ingleses. A experiência dos anos oitenta, quando as ações militares deixaram de monopolizar as atenções, tornou patente que o tema deveria ser enfrentado com a necessária profundidade. Assim, em 1787 decidiu-se eleger uma Convenção Nacional, reunida em Filadélfia, que aprovou o projeto de Constituição a ser submetido a referendo pelos estados.
Fenomenologia do Espírito, de HegelKant adotou um esquema mais complexo porquanto cuida de identificar em que se sustentam aqueles planos. Assim, as intuições empíricas iniciais são ordenadas pelas intuições puras do espaço e do tempo. Segue-se o entendimento, que é o plano da ciência (categorias). Entre este e a razão (que elabora idéias) introduz a unidade “a priori” da apercepção (o “eu penso” que acompanha todos os enunciados).
Figuras e idéias da Filosofia da Renascença, de Rodolfo Mondolfo O sábio italiano Rodolfo Mondolfo teve uma longa e profíqua existência. Nasceu em 1877 e faleceu às vésperas de completar cem anos, em 1976. Ainda muito jovem, nos começos do século XX, participou dos debates relacionados ao marxismo, que tivera lugar na Itália, tendo contribuído para fixar uma interpretação que posteriormente iria contrastar com o leninismo, porquanto identificada com a tradição humanista ocidental. Tornou-se um dos principais historiadores da filosofia, retirando-lhe todo caráter arbitrário e estabelecendo distinções fundamentais em suas várias expressões para destacar o papel dos problemas no seu desenvolvimento. Teve ainda oportunidade de reordenar a filosofia grega e elaborar textos destinados a facilitar o seu estudo. Fugindo do fascismo, radicou-se na Argentina onde muito contribuiu para animar o movimento editorial relacionado à filosofia, no que se refere a traduções cuidadosas e publicação de revistas especializadas, bem como para a formação de professores. Com o fim do fascismo recuperou a cátedra que dispunha na Universidade de Bolonha, mas preferiu continuar residindo na Argentina.
Filosofia do Direito, de Hegel No esquema da Enciclopédia, que Hegel imaginava seria a apresentação do seu sistema filosófico, o espírito desdobra-se em espírito subjetivo (Antropologia, Fenomenologia do Espírito e Psicologia); espírito objetivo (Direito, Moralidade e Moralidade Social) e espírito absoluto (Arte, Religião Revelada e Filosofia). Os Princípios da Filosofia do Direito (1821) consideram apenas o momento do espírito objetivo, tendo naturalmente presente a circunstância de que é parte de uma totalidade.O ponto de partida de Hegel é o esquema abstrato onde o logos que precede a Filosofia da Natureza desdobra-se no plano puramente lógico, passando da categoria do ser à essência e ao conceito. Na natureza do espírito encontra-se como que adormecido e seu despertar verdadeiro ocorre na consciência (Fenomenologia do Espírito) a que se segue um momento em que é teórico, prático e finalmente livre. O espírito subjetivo é ainda o espírito individual, sendo o seu momento mais alto não o conhecimento mas a vontade, à qual incumbe realizar o trânsito entre o espírito subjetivo e o espírito objetivo.
(A) Filosofia Moral, de Jacques Maritain A obra em epígrafe apareceu em 1960*. Passa em revista os principais sistemas morais, desde os gregos até o idealismo alemão e o positivismo mas não se trata, como adverte o autor, de análise histórica, sendo de intenção eminentemente doutrinária. Seu objetivo é proporcionar a “tomada de consciência e de renovação intelectual, que parece ser a missão de nosso tempo.” Pretendendo fazê-lo do ponto de vista católico, parte do reconhecimento de que São Tomás legou á Igreja a teologia moral. Entende que a tarefa de considerar a filosofia moral como autenticamente filosófica até então não havia sido efetivada.Do longo percurso empreendido no livro, Maritain recolhe a convicção de que o problema moral a ser enfrentado por qualquer doutrina é o da relação do homem com a condição humana ou de sua atitude perante a condição humana.
(O) Fim da ideologia, de Daniel Bell O livro O fim da ideologia, de Daniel Bell, publicado nos Estados Unidos em 1960,* alcançou a maior repercussão, tornando-se uma espécie de best seller. Foi considerado, com propriedade, como o balanço da trajetória seguida pela esquerda norte-americana, formada nos anos trinta e cujo apogeu dar-se-ia no início do pós-guerra e na década de cinqüenta. Consiste no franco reconhecimento das virtudes do liberalismo e da condenação aberta do regime soviético, sem renegar as simpatias pelo socialismo, mas atribuindo-lhe uma orientação francamente social-democrata, isto é, renunciando à sociedade sem classes e apostando na melhoria subseqüente das condições de vida da massa trabalhadora sob o capitalismo.
(A) Física, de Aristóteles Na ordem da exposição, a Física deveria preceder à Metafísica. De modo que a coincidência de alguns temas (como a questão das causas, abordada nos Livros I e II desta última obra e a do Primeiro Motor, contida no Livro VIII) não deve ser considerada como repetição, tratando-se, ao contrário, do ponto de partida da consideração do tema, isto é, a sua abordagem inicial. O tipo de saber contido na Física – do mesmo modo que em outras obras de Aristóteles, a exemplo Do céu – corresponde ao que foi denominado de Filosofia Natural, isto é, uma inquirição de caráter especulativo acerca da natureza. Essa denominação era muito popular ainda no século XVIII, quando o novo tipo de saber acerca da natureza (a física moderna) ainda não se havia consolidado. O livro básico de Newton, aparecido em 1687, chamou-se de Princípios matemáticos da Filosofia Natural. Na reforma pombalina de 1772, introduzida justamente para fazer circular em Portugal a nova física, a Universidade foi reestruturada em torno do estabelecimento que se denominou de Faculdade de Filosofia Natural.
FREUD, SigmundApós concluir o curso de medicina estagiou em Paris com o famoso neurologista Jean Martin Charcot (1825-1893). Nessa época estava interessado no estudo da histeria e nos resultados da aplicação da hipnose nos portadores daquela enfermidade. Embora os estudiosos entendam que essa fase teria a ver com o sentido que posteriormente assumiu sua investigação, a doutrina que criou e que passaria a ser conhecida como psicanálise constitui uma novidade radical. Seria a primeira vez que a ciência passa a interessar-se pela dimensão inconsciente do homem, de que se sabia muito pouca coisa desde que era considerado “animal racional” e suas paixões eram entendidas como passíveis de serem “educadas”. Freud iria não apenas criar um método com vistas a ter acesso àquela dimensão inconsciente como estabeleceu que o apetite sexual seria decisivo na sua constituição. O inconsciente foi por ele entendido como um conjunto de desejos reprimidos, estabelecendo ainda uma relação entre a intensidade daquela repressão e a formação da personalidade neurótica. Esta decorreria do desajustamento entre as vidas consciente e inconsciente. A terapia psicanalítica pretende corrigir tal desajustamento.
Fundamentação da metafísica dos costumes, de Kant Fundamentação da metafísica dos costumes apareceu em 1785, quatro anos depois da publicação da Crítica da Razão Pura (1781), que representa, na meditação kantiana, o amadurecimento da nova perspectiva filosófica. Entretanto, segundo se pode ver da parte de sua obra chamada de pré-crítica, não se preocupava apenas com uma explicação plausível das razões pelas quais a física newtoniana passou a ser aceita universalmente mas igualmente com a questão moral. Inquietava-o sobretudo a circunstância de que a religião reformada e o catolicismo tradicional divergiam em questões que figuravam diretamente nos textos básicos da moralidade ocidental, a exemplo do mandamento constante do Decálogo de Moisés segundo o qual não serão adoradas imagens. Além disto, tinha conhecimento das discussões travadas, notadamente na Inglaterra, sobre a independência da moral em relação à religião. Simultaneamente, sendo pessoa de profundas convicções religiosas, tinha a tendência a considerar o homem sem idealizações, como um ser pecador e carente de salvação. Nessa circunstância, os mencionados textos pré-críticos deixam claro que a moralidade não podia ficar na dependência apenas do conhecimento racional, como pretendera Leibniz. Em síntese, Kant tinha presente que, dada a pluralidade religiosa configurada na Época Moderna, a moral tornara-se exigente de uma fundamentação que prescindisse da interveniência da religião. Ao mesmo tempo, contudo, não podia ter a sua sorte vinculada à da “razão”, na forma onipotente como a conceituava o racionalismo. Mais explicitamente o conhecimento da lei moral não é condição suficiente para assegurar a sua prática. Os homens têm inclinações que o levam a violá-la. Esse conjunto de problemas teóricos explicam a longa trajetória acerca da moralidade, finalmente amadurecida com a obra de que ora se trata.
(O) Futuro da democracia, de Norberto Bobbio Norberto Bobbio nasceu em Turim, Itália, em 1909. Ao completar 90 anos, em 1999, plenamente lúcido e ativo, recebeu merecidas homenagens tanto na Itália como em diversos outros países, inclusive Portugal e Brasil. Logo adiante, o falecimento de sua esposa deixou-o muito combalido, o que se acredita haja contribuído para a sua morte no início de 2004.Bobbio fez sua carreira universitária nas Universidades de Siena, Pádua e Turim, aposentando-se em 1984, ao completar 50 anos de magistério. Em sinal de reconhecimento por sua inestimável contribuição à cultura italiana, o governo nomeou-o senador vitalício, o que lhe permitiu continuar presente na vida cultural e acadêmica de seu país. Sua obra está dedicada principalmente ao direito e à ciência política. Esta última é que lhe proporcionou grande audiência na Europa, nos Estados Unidos, e, em geral no mundo latino, achando-se traduzida ao português a sua parcela fundamental. Os estudiosos consideram que, nessa matéria, sua principal contribuição cifra-se no entendimento que tem proporcionado da democracia. O Dicionário de Política, por ele coordenado, tornou-se obra obrigatória de referência.
GALILEU, Galilei Galileu Galilei nasceu em 1564, na cidade italiana de Pisa, numa família intelectual. O pai era músico e compositor, carreira que foi seguida pelo irmão. Mais tarde a família mudou-se para Florença, onde os parentes eram influentes na medicina e nos negócios públicos. Nessa altura foi mandado para um colégio jesuíta, de onde o pai acabou retirando-o. Tornou-se estudante de medicina na Universidade de Pisa mas desistiu do curso por não se sentir vocacionado. Revelou então enorme interesse pela matemática. Sua competência na matéria acabaria sendo reconhecida sendo admitido como professor da disciplina na Universidade de Pisa, em 1589, aos 25 anos de idade. Nos começos do novo século já se tornara conhecido por sua habilidade na confecção de instrumentos científicos e perícia na efetivação de observações astronômicas. Progressivamente refutou as teorias do movimento adotadas na época, que constituíam o cerne da física de Aristóteles, encampada pela Escolástica. Acompanhando a evolução do telescópio, que então ocorria em diversas partes da Europa, notadamente na Holanda, Galileu dedicou-se a aperfeiçoar o modelo que possuía duas lentes, uma em cada extremidade do tubo. Através de sucessivas melhorias, aumentou inicialmente em três vezes o tamanho aparente dos objetos observados, depois para dez vezes e, finalmente, para trinta. Assim, observou muito mais estrelas do que as visíveis a olho nu. Registrou que o planeta Júpiter era acompanhado, em sua órbita, por quatro pequenas luas. Concluiu que, se um planeta podia arrastar os seus próprios satélites, não era correta a inferência de que se a Terra se movesse, como supunha Copérnico, a Lua seria deixada para trás.* Essa conclusão e mais os resultados dos seus aperfeiçoamentos no telescópio, sugeriam que as observações herdadas do Museu de Alexandria, no mundo antigo, deixavam crescentemente a desejar, o que, sem dúvida, favorecia aos partidários da teoria heliocêntrica, que contrariava frontalmente a geocêntrica, preferida pela Igreja. Deste modo, Galileu ingressava num terreno deveras perigoso. Admite-se que, tendo presente a circunstância, haja se decidido a abandonar Florença e radicar-se em Veneza, onde, supunha, contaria com a proteção da influente casa de Médici. A iniciativa, entretanto, não o salvou de ser denunciado à Inquisição em 1615, quando se inicia, contra ele, longo processo.
Gargantua, de Rabelais Em torno da vida de Rabelais estabeleceram-se muitas lendas, admitindo os estudiosos que os fatos verdadeiros podem ser resumidos como segue. François Rabelais (1495/1553) nasceu no interior da França (Chinon), foi educado pelos monges locais e tornouse um deles. Em 1524, aos 29 anos de idade, deixa o mosteiro e passa a atuar como padre secular de forma itinerante. Parece que em seguida haja estudado medicina em Montpellier e teria exercido a profissão em Lion, Roma e Paris. Nessa fase é que se dispõe a publicar a obra que o torna célebre e que está subdividida em cinco livros. O aparecimento dos primeiros alcança o maior sucesso. De início, a Igreja não reage mal e até lhe oferece uma paróquia (Mendon) que se supõe não haja chegado a assumir. O desenvolvimento da obra acaba entretanto por leva-lo a ser considerado suspeito de heresia. Faleceu aos 58 anos de idade.
GOETHE Na análise da obra de Goethe aparecem nitidamente duas tendências. A primeira, levando em conta que se ocupou praticamente de toda espécie de manifestação cultural, consiste em louvar-lhe a genialidade. Entre outras coisas, foi chamado de “homem universal”. Poeta lírico, projetista, dramaturgo, novelista, tradutor, diretor teatral, ministro de Estado, administrador, geólogo, meteorologista, botânico, filósofo, crítico, místico e grande amante – essa personalidade multifacetada mereceria ter o seu gênio amplamente reconhecido. Outros tomam isoladamente qualquer das manifestações assinaladas e destacam a ausência de méritos intrínsecos. Ronald Gray*– talvez o mais importante estudioso inglês de sua obra – sugere que avaliação equilibrada poderá resultar destes reconhecimentos: 1°) Viveu 83 anos, de forma intensa. Aos 21 compunha poemas e peças de teatro e integra um grupo intelectual influente, liderado por Herder**. Em 1809, aos 60 anos, conhecido como autor de Werther, editado há cerca de três décadas, publica Fausto, seguido da Teoria das cores (1810). Aos 65 (1814), casado com Christine Vulpius, desde 1806 (falecida dois anos depois) envolve-se em outro affaire amoroso (Marianne von Willemar). Perto dos oitenta é capaz de novos interesses; 2°) Suas incursões nas diversas manifestações culturais, na maioria dos casos, são tópicas e isoladas. Não há um elo comum que as possa justificar, salvo a renovada preocupação em manter-se ao corrente das conquistas científicas, mas tomando-as em suas expressões específicas. Mesmo na poesia, que o acompanharia sempre, não guarda fidelidade a estilos; e, 3°) Circunstâncias históricas vitais muito influenciaram sua carreira: os amores; as funções administrativas (Weimar); o impacto provocado pela Revolução Francesa, seguido da admiração por Napoleão; e até a dependência de amizades e amores.
GOMBRICH, Ernst Ernst Hans Gombrich nasceu em Viena em 1909 numa família judia, convertida ao protestantismo na virada do século. Estudou numa das escolas secundárias mais conceituadas da capital austríaca (Theresianum) e concluiu a Universidade de Viena. O ambiente familiar explica muito de suas preferências acadêmicas. Sua mãe era uma pianista conhecida. A mulher com quem se casou em 1936 (Ilse) também era pianista; a irmã tornou-se uma violonista famosa. O próprio Gombrich era considerado um bom músico (tocava violino).
Guia dos perplexos, de Maimônides O propósito de Maimônides (1135-1204) ao elaborar O guia dos perplexos acha-se deste modo expresso na Introdução: “O objeto deste tratado é iluminar o homem religioso que foi educado a crer nas verdades de nossa sagrada lei, que conscientemente cumpre seus deveres religiosos e morais e que, ao mesmo tempo, foi bem sucedido em seus estudos filosóficos. A razão humana o atraiu para habitar em sua esfera e ele encontra dificuldade em aceitar como correto o ensinamento baseado na interpretação literal da lei, e especialmente aquela que ele próprio ou outros derivam das expressões harmônicas, metafóricas ou híbridas. Daí estar ele perdido em perplexidade e ansiedade. Se for guiado apenas pela razão, e renunciar a suas concepções anteriores que se baseiam nessas expressões, há de se considerar que rejeitou os princípios fundamentais da lei; e mesmo que conserve as opiniões derivadas dessas expressões, e se em vez de seguir sua razão, abandonar totalmente a orientação desta, ainda assim parecia que suas convicções religiosas sofreram perda e injúria. Pois terá então abandonado aqueles erros que deram origem ao medo e ansiedade, ao constante pesar e grande perplexidade”.
GUIZOT, François François Guizot nasceu em Nimes, França, em 1787, no seio de uma família da velha burguesia protestante. O seu pai era advogado e foi guilhotinado no ano II da Revolução, num momento, frisa um dos principais estudiosos de seu pensamento, Pierre Rosanvallon, “em que o confronto entre os membros do partido da montanha e os girondinos exprimia também a luta do pequeno povo católico contra a burguesia protestante.” (Le moment Guizot, Paris, Gallimard, 1985). Sua mãe levou-o para Genebra, onde recebeu a sua primeira formação, num ambiente marcado pelo liberalismo e o pietismo calvinista. Aos 19 anos retornou à França, trabalhando como preceptor em casa de família, para custear os estudos. Concluiu a Faculdade de Direito e ingressou no serviço público. A partir de 1812 é professor de história moderna na Universidade.
Hecuba e As troianas, de Eurípedes Hecuba é mulher do último rei de Tróia, Priamo. A ocupação da cidade acha-se concluída e a guerra terminada em seu desfavor. Priamo havia entregue o filho mais moço, Polidoro, ao rei da Trácia, Polimester, para mantê-lo a salvo. Com o desfecho da guerra, sabedor da morte de Priamo, Polimester mata a Polidoro. Ao mesmo tempo, a esquadra grega, no regresso ao país, é retida por ventos contrários nas costas da Trácia, onde aparece a sombra de Aquiles e exige que seja sacrificada Polixene, a mais jovem filha de Priamo e Hecuba para que os ventos permitam a continuidade da viagem de volta. Consumado o sacrifício, quando Hecuba recebe o corpo da filha, encontra o corpo de Polidoro. Hecuba já havia perdido os outros filhos (Heitor e Páris). O infortúnio, ao invés de abatê-la, enche-a de coragem. Com a ajuda de outros cativos, mata os dois filhos de Polimester e cega-o. Transformado numa espécie de vidente, Polimester prevê um fim humilhante para Hecuba, prognosticando que seria transformada numa cadela, e tragédias para Agamenon no seu retorno a Argos.
HEGEL Georg Wilhelm Friedrich Hegel nasceu em Stutgart, em 1770. Estudou teologia em Tubing e trabalhou como preceptor privado, entre 1794 e 1800, em Berna e Frankfurt. Em 1801 ingressou na Universidade de Iena, na condição de livre docente. Entre 1809 e 1916 foi reitor do Ginásio de Nuremberg, tornando-se, sucessivamente, professor das Universidades de Heidelberg e Berlim. Na década de vinte ascende à condição de filósofo oficial da Prússia e dos principados alemães que se encontravam sob a sua liderança. Faleceu em 1831, aos 61 anos de idade.
HERÓDOTO Tendo vivido no século V antes de nossa era e presenciado as guerras com os persas que, embora intermitentemente, duraram cerca de 41 anos (de 490 a 449), admite-se que Heródoto haja nascido em 484 e falecido em 420. Vivendo em Atenas, era amigo de Péricles e de Sófocles. Sua obra, denominada História, é considerada a certidão de nascimento da historiografia, embora a tese precise ser devidamente qualificada. Heródoto ocupa-se da história humana, enquanto os relatos anteriores, de Homero e Hesíodo, entremeiam a ação humana e a dos deuses. Além disto, procurou documentar-se, avaliar a exatidão de suas fontes e as compôs numa narrativa bem construída e vivaz. Desse ponto de vista, é certamente um marco em relação ao passado, embora, como escreve o tradutor de sua obra, Mário da Gama Kury, “ainda tem muito dos hábitos que censurava nos seus predecessores: a paixão pelas genealogias, pelo lendário e até pelo puramente mítico”. Na verdade, a historiografia como um tipo de conhecimento que emprega métodos científicos mas parte do reconhecimento da diferença que a presença do valor, na criação humana, estabelece em relação ao processo natural, é fenômeno tardio no Ocidente, datando do século XVIII.*
Hipólito e Medéia, de Eurípedes Hipólito é a tragédia de Fedra, que se apaixona pelo filho do seu marido e é por este recusada. Despeitada e ofendida, mata-se e faz com que o marido creia que o filho é que teria tentado desonrá-la. Encolerizado, Teseu, marido de Fedra e pai de Hipólito, provoca a morte deste último.Hipólito seria o que no Ocidente cristão se considerou como “símbolo da castidade”, atributo ao qual não se dava maior valor na Grécia Antiga, embora, segundo a mitologia, havia jovens que cultuavam a sua memória. Com idêntico sentido, moças às vésperas do casamento podiam cortar a mecha de seus cabelos como forma de prestar tributo ao fim da castidade. Eurípedes coloca na boca de Hipólito sentenças do tipo adiante. Dirigindo-se a Zeus, exclama: “se querias perpetuar a raça humana não valia fazê-lo através das mulheres. Teríamos apenas que, nos templos depositar ouro, dinheiro ou bronze em pagamento de semente de crianças”. Entende que os pais que tivessem o infortúnio de gerá-las deviam poder, mediante um dote, delas desembaraçar-se. Quem toma a uma delas como esposa recebe uma parasita que destruirá o patrimônio da família. E assim por diante.
História da Arte, de Ernst Gombrich A História da Arte, de Ernst Gombrich (1909/2001), corresponde a um dos empreendimentos literários melhor sucedidos. Propõe-se difundir uma das dimensões fundamentais da cultura geral, sem se preocupar com erudição mas apenas buscando cultivar o hábito de aproximar-se da arte de forma descontraída e respeitosa. O sucesso dessa obra pode ser medido pelo fato de que, desde o seu aparecimento em 1950, mereceu 16 edições na Inglaterra, foi traduzida nas principais línguas e já vendeu milhões de exemplares em todo o mundo. Para compô-la, Gombrich estabeleceu como regra que as ilustrações deveriam aparecer na própria página em que são mencionadas. A edição brasileira tem cerca de 500 páginas. As ilustrações correspondem a 398. O propósito claro consiste em colocar a sua informação ao alcance do grande público, acreditando que conseguiria desestimular atitudes deste tipo: “Por vezes, vemos pessoas caminhando por uma galeria de arte, de catálogo nas mãos. Toda vez que passam diante de um quadro buscam pressurosamente seu número. Podemos observá-los folheando seu livro e, logo que encontram o título ou o nome da obra, seguem em frente. Não faria diferença alguma se tivessem ficado em casa, pois mal olharam para a pintura. Apenas checaram o catálogo. É uma espécie de curto-circuito mental que nada tem a ver com a fruição de um quadro”.
História da civilização na Europa, de François Guizot História da civilização na Europa (da queda do Império romano à Revolução Francesa) reúne as aulas sobre o tema ministradas por François Guizot nos anos letivos de 1818, 1829 e 1830, publicadas em 1840. Considera a civilização européia como inteiramente distinta das civilizações antigas que a precederam e fundamenta essa convicção de forma ampla e consistente. O traço essencial residiria em que não obedece a um princípio diretivo único, como se dava anteriormente. Na multiplicidade encontra-se a sua superioridade. Essa circunstância deve-se sobretudo à feição assumida pela Igreja, notadamente a separação entre os poderes temporal e espiritual. É certo que a Igreja, em muitas de suas fases, pretendeu sobrepor-se ao poder temporal. Contudo, o fato de que, em tal separação consiste precisamente a fonte da liberdade de consciência, estimulou a resistência àquelas investidas. Outra contribuição notável advém do fato de que não se haja estruturado em forma de casta, a exemplo do que ocorria nos impérios antigos. A característica desta é a hereditariedade de que resulta o predomínio de determinadas famílias, conduzindo ao mais franco imobilismo social. Ao contrário disto, a Igreja recrutou seus membros nos diversos segmentos da sociedade, tanto nas camadas elevadas como nas inferiores. Esse elemento determinou que, no Ocidente, se formassem classes sociais. A obra corresponde justamente à reconstituição do processo de estruturação das classes, da luta que vieram a travar entre si, e dos grandes princípios que caracterizam a nossa civilização.
História da guerra do Peloponeso, de Tucídides A guerra do Peloponeso travou-se entre a Liga Ateniense e a Liga do Peloponeso, cabendo a liderança da primeira a Atenas e, a da segunda, a Esparta. A Grécia nunca chegou a constituir-se como uma nação, segundo o entendimento ocidental desde a Época Moderna. Estruturava-se na forma de cidades-Estado. A praxe da aliança entre as cidades dá-se em função da necessidade de enfrentar as invasões persas. Estas tiveram início em 490 e prolongaram-se durante 41 anos. Em 449, os persas renunciam à dominação sobre o mar Egeu e restituem a independência às colônias gregas da Ásia Menor. Parte da liderança ateniense entendia que era essencial manter a aliança cimentada na luta contra os persas. Atenas firmarase como uma potência marítima, voltada sobretudo para o comércio. Seus interesses eram sobretudo externos e não entravam em conflito com Esparta, que era reconhecida como potência terrestre, baseada na agricultura. Tais características refletiam-se na feição assumida por sua organização militar. Atenas destacava-se nos combates marítimos enquanto Esparta o fazia na guerra terrestre.
HOBBES, Thomas Thomas Hobbes (1588-1679) é uma figura central na elaboração teórica que – admitem os estudiosos – ajudou e muito contribuiu para a estruturação do Estado Moderno em bases autoritárias. Sua época era justamente o tempo das disputas em prol da autonomia do Parlamento. Engajou-se francamente do lado da monarquia absoluta, caiu em desgraça no período em que seus líderes seriam derrotados mas viveria o bastante para presenciar a volta de seus aliados ao poder, mas não o suficiente para assistir à vitória liberal com a Revolução Gloriosa de 1688.
HUGO, Victor Victor Hugo (1802/1885) era filho de militar de alta patente e, contrariando a esperança do pai de que seguiria aquela carreira, desde jovem revelou a sua veia poética. Radicado em Paris (nasceu no interior da França, em Besançon) ligou-se aos primeiros escritores franceses românticos, que haviam constituído o chamado Cenáculo, com o objetivo de teorizar acerca do movimento. Tendo publicado em 1827 um texto que se considerou como uma espécie de manifesto (Prefácio ao drama intitulado Cromwell) -- na medida em que ali declara guerra ás doutrinas clássicas, até então admitidas no teatro – passa a ser reconhecido como o chefe da Escola Romântica.
HUME, David David Hume inclui-se entre os grandes filósofos da Época Moderna, sendo certamente o maior deles depois de Kant. Seu feito consistiu em haver descoberto – e dessa descoberta ter sabido tirar todas as conseqüências – que o discurso (os enunciados teóricos, a reflexão, as elaborações do pensamento, enfim) distinguem-se totalmente do real, do mundo circundante, das coisas. Em relação a estas o que podemos fazer é construir modelos, cuja possibilidade de relacionamento com o real supunha ser do tipo probabilístico. Por isto mesmo encontra-se muito à frente da ciência de seu tempo, que acreditava numa causalidade determinística.
HUSSERL, Edmund Edmund Husserl (1859/1938) nasceu na Moravia e estudou matemática em Viena. Sofreu marcante influência de Franz Brentano (1883/1917), grande estudioso de Aristóteles e da Escolástica, empenhado na recuperação da perspectiva transcendente*. Husserl iria tentá-lo buscando um caminho próprio. Depois de ensinar em diversas Universidades, fixou-se na de Friburgo, Alemanha, em 1916, cátedra a partir da qual conseguiu irradiar sua proposta filosófica que passaria à história com o nome de fenomenologia.
(A) Ideologia alemã, de Marx Embora se trate de um texto somente divulgado pelos soviéticos em 1932, A Ideologia Alemã representa uma obra fundamental para compreender como Marx procura distanciar-se mas, ao mesmo tempo, mantém-se umbilicalmente ligado à chamada esquerda hegeliana. Depois da morte de Hegel, em 1831, os seus discípulos dividiram-se em dois grupos que se hostilizavam. O primeiro, entre outras coisas, identificou com Deus o que na obra de Hegel denomina-se de “Absoluto”, e entendia como sendo uma espécie de direcionamento principal de sua meditação. O outro grupo, conhecido ou autodenominado de “esquerda” (a idéia de que os grupos políticos poderiam ser divididos, basicamente, em esquerda e direita provém da Revolução Francesa), afirmava que o essencial na obra de Hegel consistia em que, estando elaborado o sistema, cumpria realizá-lo na prática. Noutros termos: concebida a sociedade racional cabia implantá-la. Ao invés de deter-se no exame dessa possibilidade, passaram a disputar sobre qual seria o grupo social capaz de levar a bom termo a empreitada. O próprio Hegel colocara o funcionalismo numa posição de destaque na parte de seu sistema dedicada à sociedade, razão pela qual davam-lhe preferência. Marx considerava que isto equivalia a delegar a função racionalizadora ao próprio Estado, que já na altura em que escreveu A Ideologia alemã (1845-1846) entendia como um comitê a serviço da “classe dominante”, isto é, a burguesia.
(A) Idéia do sagrado, de Rudolf Otto Rudolf Otto (1869-1937) foi professor em diversas universidades alemãs, tendo chegado a titular de teologia em Breslau, de 1915 a 1917, transferindo-se em seguida para Marburgo, onde se aposentou em 1919.Seguiu a orientação daqueles autores, como Jacob Friederich Fries (1773-1893), que consideravam certos aspectos do idealismo pós-kantiano como violadores da crítica da razão, propugnada por Kant, notadamente a filosofia especulativa da natureza. Fries entendia que esta deveria partir dos resultados das ciências particulares, a exemplo do procedimento de Kant em relação a Newton. Somente uma tal investigação poderia determinar precisamente quais são as categorias a priori que lhes dão sustentação, isto é, quais os princípios que não provêm da experiência.
Ilíada, de Homero São atribuídos a Homero dois extensos poemas denominados de Ilíada e Odisséia. O primeiro contém a caracterização dos traços fundamentais da religião cultuada na época e o relato da guerra de Tróia. O segundo descreve os percalços do regresso à terra natal de um dos principais heróis daquela guerra, Ulisses.A Grécia era então habitada pelos aqueus (que teriam chegado à região, provenientes da Europa Central, no século XV antes de Cristo). A guerra de Tróia teria ocorrido por volta do século XIII. A civilização dos aqueus foi denominada de micênica, pelo fato de que se denominava Micenas a capital daquele lendário período. Decorrido pelo menos um século, provavelmente no século XII, começam as invasões dóricas, que dão início à civilização onde surgiu a Grécia Clássica, na altura do século V. Seria no curso da fixação dos dóricos que se efetivaria a transcrição dos poemas homéricos até então preservados como tradição oral. A data provável em que teria havido essa transcrição também é objeto de controvérsia. Alguns estudiosos a situam nos séculos IX ou VIII. Outros entendem que o mais provável é que haja ocorrido na fase que precedeu imediatamente o período clássico, entre 550 e 500.
(A) Ilustre Casa de Ramires, de Eça de Queirós O livro é representativo da última fase da obra de Eça de Queirós, tendo sido publicado justamente no ano de sua morte, em 1900. O personagem central – Gonçalo Mendes Ramires – corresponderia não apenas a uma figura marcante dentre as diversas que emergiram das páginas dos seus livros. Na verdade, seria uma autêntica representação da trajetória histórica vivida por Portugal.Gonçalo Mendes Ramires pertence a uma família que existia no Condado Portucalense, isto é, antes de se haver dissociado da Espanha para dar origem a Portugal. Seus ancestrais participaram de todos os eventos marcantes de sua história: a expulsão dos mouros, as guerras para firmar a Independência; a epopéia dos descobrimentos e a construção do grande império. A propriedade, que restou destes tempos gloriosos, preservou um castelo, conhecido como Torre de d. Ramires, e, por extensão, Gonçalo era chamado de “Fidalgo da Torre”. Tudo isto para acabar melancolicamente, na dependência do arrendatário das terras, submetido a aterse a orçamento limitado. Os prazeres da vida reduzem-se a extravagâncias gastronômicas e às serestas em que um trovador cantava as façanhas da família. Estas, aliás, estão no centro do livro porquanto Gonçalo Mendes Henrique aspirava alcançar a glória literária pela publicação de uma novela dedicada a um feito heróico de um dos ancestrais.
Imitação de Cristo, de Tomás de Kempis O livro Imitação de Cristo foi atribuído a Tomás Hemerken (1379-1471), conhecido como Tomás de Kempis em decorrência do mosteiro a que pertencia situar-se na localidade assim denominada (Renânia, Alemanha). No mosteiro de Kempis formulou-se a chamada Devotio moderna, que se admite reflita o tipo de devoção religiosa prestigiado e apregoado na Idade Média. Consistiria no empenho de tomar por modelo a pessoa de Cristo, a fim de organizar, de forma metódica, a vida interior, graças à leitura do Novo Testamento, completada pela meditação, a oração, o exame de consciência e a prática de penitências. A fonte inspiradora seria o despojamento pregado pelos franciscanos e a mística dos dominicanos alemães. As Ordens Franciscana e Dominicana haviam sido criadas nos começos do século XIII, isto é, em torno de duas centúrias antes da elaboração da Devotio moderna e do aparecimento da Imitação de Cristo.
Inquérito sobre o entendimento humano, de David Hume Neste livro, David Hume dedica-se ao mister de dar maior coerência ao empirismo (doutrina que afirma provir o conhecimento da experiência), aprofundando a doutrina de Locke. Este denominou seu livro An Essay Concerning Human Understanding enquanto Hume denominou ao seu de An Enquiry Concerning Human Understanding. Entre as duas há aproximadamente cinqüenta anos: sendo a primeira de 1690, a segunda editou-se em 1748. No intervalo publicaram-se diversas obras sobre o tema, ganhando major nomeada o de Jorge Berkley (1685-1753), que chamou de A Teatrise Concerning the Principles of Human Knowledge (1710).
Investigação sobre os princípios da moral, de David Hume Hume publicou inicialmente Tratado da Natureza Humana (1739), quando ainda não completara 30 anos (nasceu em 1711), livro em que resume o que seria a sua contribuição à filosofia moderna, tanto no que diz respeito à teoria do conhecimento como no que se refere à moral. Subseqüentemente, procurou apresentar de forma mais simples as suas idéias, em textos autônomos, sendo um destes a Investigação sobre os princípios da moral, aparecido em 1751. Este livro corresponde a uma espécie de síntese da discussão havida na Inglaterra, na primeira metade do século XVIII, no tocante ao que se convencionou denominar de ética social, isto é, a busca dos fundamentos do comportamento moral das pessoas na vida em sociedade.
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