D-E
Da República, de Cícero É considera como a obra fundamental de Cícero (106-46 a.C.). Escrito no ano 51 a.C., Da República está elaborado na forma adotada pelos diálogos platônicos. Reunidas, algumas personalidades entretêm uma conversação livre. Pretendendo guardar plena autenticidade, os assuntos afloram espontaneamente, entremeando-se discussões eruditas sobre diversos assuntos com a invocação de eventos históricos. Preservaram-se seis livros. A exposição da doutrina política está toda contida no Livro Primeiro.
DANTE ALIGHIERI Nasceu em Florença, no ano de 1265, e faleceu, em Ravena, em 1321. Ainda que o seu nome esteja indissoluvelmente ligado ao imortal poema Divina Comédia, foi um político proeminente e escreveu obra de caráter teórico.Em sua terra natal, Dante foi incumbido de diversas missões diplomáticas. Além disto, pertencia à mais alta hierarquia governamental, sendo um dos sete magistrados que regiam os destinos da cidade. A política em Florença, como de resto na Itália de seu tempo, nutria-se de divisões acentuadas. Formalmente, os dois principais grupos denominavam-se gibelinos (moderados) e guelfos (partidários radicais do Papa), sendo que Dante pertencia à primeira, o que explica a posição doutrinária adiante referida. Tendo a balança se inclinado em favor dos guelfos, foi exilado em Ravena.
DARWIN, Charles Charles Robert Darwin nasceu no interior da Inglaterra, em 1809. Era filho de um médico e desde jovem revelou um grande interesse por colecionar selos, conchas e outros objetos mas não se destacou na escola. Em 1825, aos 16 anos, ingressou na Universidade de Edimburgo, com o propósito de estudar medicina porém não se adaptou ao curso. Transferiu-se então para Cambridge a fim de preparar-se para o sacerdócio. Contudo, em 1832, aos 22 anos, empregou-se como naturalista para realizar levantamentos geológicos das costas setentrionais da América do Sul e de outros continentes daquela parte do hemisfério. A viagem durou cinco anos, o que lhe permitiu ver pela primeira vez uma floresta tropical, no Brasil, entrar em contato com a Terra do Fogo – habitada por “homens tão destituídos de crenças que dificilmente pareciam humanos” –, e verificar a consistência das teorias em voga acerca das camadas geológicas da terra. Na ilha de Cabo Verde, nas costas africanas, pode reconstituir toda a história geológica da ilha. Enfim, ficou em condições de discutir com os principais teóricos ingleses da geologia, a partir das pesquisas que realizara. Antes do fim da década publicou-as com grande sucesso de público: Journal of researches into the Geology and Natural History of the Various Countries visited by H.M.S. Beagle (1839).
De Servo Arbitrio, de Lutero
Defesa do racionalismo ou análise da fé, de Amorim Viana O livro Defesa do racionalismo ou análise da fé (1866) constitui manifestação expressiva do denominado movimento da religião natural, que envolveu numerosos pensadores, sobretudo ingleses e franceses, no século XVIII. Na Inglaterra, foi também denominado de deísmo, tendo sofrido alguma radicalização ao ser transposto ao continente, onde se torna parte do chamado Iluminismo, que ambiciona tirar as últimas conseqüências do racionalismo. No Dicionário de Filosofia (1968; tradução brasileira, 1970), Abbagnano resume deste modo as teses fundamentais do deísmo: 1ª) a religião não contém e não pode conter nada de irracional; 2ª) a verdade da religião, portanto, revela-se à própria razão e a revelação histórica é supérflua; 3ª) as crenças da religião natural são poucas e simples: existência de Deus; criação e governo divino do mundo; recompensa do bem e punição do mal em uma vida futura. As religiões existentes teriam, assim, um fundamento racional que os pensadores em causa tratam de explicitar.
DEFOE, Daniel Defoe nasceu em Londres em 1860. Desde a década de oitenta, com pouco mais de 20 anos, tomou-se um ativista dissenter. Eram chamados de dissenters os protestantes não- anglicanos que se opunham à existência da igreja oficial. Ainda que calvinista por seu substrato doutrinário, a Igreja Anglicana preservava muitos traços provenientes de sua origem romana. A guerra civil que ensangüentou o país, praticamente ao longo de todo o século, visava impedir que através da Casa Real pudesse ser restaurada a religião católica mas também dificultar a atuação dos anglicanos.
Democracia e educação, de John Dewey Na doutrina clássica, ao representante incumbia conhecer os interesses que lhe competia representar e, ao mesmo tempo, ter demonstrado ser capaz de defendê-los. Seu grau de instrução nada acrescentava. É o que diz expressamente Silvestre Pinheiro Ferreira (1769- 1846): “(...) em cada Estado deve haver um certo número de homens capazes de compreender e sustentar no Congresso os respectivos interesses. Estes homens distintos devem ter dado provas das suas capacidades nas ordens inferiores de onde não subiram sucessivamente senão pelo voto de seus concidadãos (...).
(A) Democracia na América, de Alexis TocquevilleO fato que mais impressionou a Tocqueville no seu primeiro contato com a América foi, sem dúvida, a igualdade da sociedade americana. Mas, ao mesmo tempo, o nosso autor descobriu que se tratava de uma democracia alicerçada na defesa da liberdade. Depois de ter salientado as principais características físicas da América do Norte, Tocqueville passou a identificar as populações que, fugindo das perseguições religiosas na Europa, vieram para a América a fim de tentar uma nova forma de convívio religioso e político. A essa busca veio somar-se, no sentir do nosso autor, a igualdade civil e política, garantida pela divisão da terra desde o período colonial. Foram fatores que concorreram à prosperidade das colônias angloamericanas e que se somaram a outras variáveis: os costumes puritanos, a poupança, fruto do espírito de trabalho, bem como um certo desleixo da Metrópole que, já adiantado o século XVIII, terminaria sendo decisivo para o movimento independentista.
(Os) Deuses da Grécia, de Walter F. Otto Walter Frederico Otto (1874-1958), nascido em Hechingen, Alemanha, tendo estudado Humanidades em Stuttgart, entrou no seminário teológico de Tübingen, sem completar, porém, a sua formação de pastor, para dedicar-se à filologia clássica que estudou em Bonn. Foi docente nas Universidade de München, Viena, Basiléia, Frankfurt, Göttingen e Tübingen. Seu nome está ligado à história das religiões.Tratando de colher o espírito da religião grega, em sua obra Teofania, Walter Otto aborda as características da religião grega, que se nos apresenta sem dogmas, sem uma classe sacerdotal definida e possuidora de um saber a ser transmitido em nome de uma autoridade divina, sem uma escritura sagrada, sem uma fé obrigatória, com exceção de algumas regras de culto e a existência dos Deuses.
DICKENS, Charles Alguns escritores românticos contribuíram para a popularização de uma caricatura da Era Vitoriana como o período histórico em que emergem os horrores do sistema fabril e a exploração da classe operária ou como uma fase de hipocrisia moral e de crueldade com as crianças. Entre os autores que nos legaram tal visão, sobressai Charles Dickens (1812-1870). Folhetinista de sucesso* muito jovem ainda, aos 25 anos, encontra-se entre os que mais divertem. As aventuras do Sr. Pidewick, que aparecem em capítulos no Morning Chronicle, em 1837,** o jornal de maior circulação no país, contam episódios muito engraçados do herói que dá título à história e seu criado Sam Weller, fazendo emergir do texto personagens inesquecíveis. Escreveu-se, na época, que “a Inglaterra ri e chora com as aventuras do personagem de Dickens”.
Discurso aos eleitores de Bristol, de Edmund Burke O Discurso aos eleitores de Bristol, pronunciado por Edmundo Burke em 1774, tornou-se um ponto de referência na discussão acerca da natureza da representação. Embora limitada à Inglaterra, a experiência do novo sistema estava prestes a completar um século, cabendo considerar esse aspecto não abordado por Locke nem por Kant, que se haviam tornado seus primeiros grandes teóricos. Essa discussão inicial toma como referência o mandato imperativo.
Discurso do método, de DescartesDescartes educou-se no Colégio de La Flèche, dos Jesuítas, que estava entre os mais famosos estabelecimentos de ensino existentes na França, tendo-o concluído em 1614, aos dezoito anos. Em seguida viajou por diversos países, residindo em Paris entre 1625 e 1628. Neste último ano mudou-se para a Holanda, ao que se supõe com receio das perseguições religiosas, permanecendo ali até 1649. Convidado pela rainha Cristine, trasladou-se à Suécia nesse último ano, vindo a falecer ali, no seguinte, conforme se referiu.
Discurso sobre o engano do povo com as palavras de ordem de liberdade e igualdade, de Lenine O discurso em apreço foi pronunciado em 1919 e retrata bem o desapreço que o fundador do Estado Soviético nutria em relação à democracia e, em geral, às conquistas legais no que respeita às liberdades individuais (de consciência, de associação etc.) bem como à liberdade de imprensa, do mesmo modo que à igualdade perante a lei, que, no Ocidente, foi sendo progressivamente estendida à área social. Como se verá, a argumentação tangencia o essencial.
(A) Divina Comédia, de Dante Alighieri A Divina Comédia constitui um poema épico, rigorosamente simétrico, difícil de ser traduzido de idêntica forma. Por isto, é comum que o façam em prosa. Não se considera que as traduções portuguesas em verso tenham sido bem sucedidas. Parecem, às pessoas familiarizadas com o tema, textos herméticos, de difícil entendimento. A tradução brasileira melhor acolhida, devida ao escritor Hernani Donato, em prosa, consegue transmitir toda a beleza da concepção do autor. Ainda que a intenção de Dante tenha sido ir ao encontro do espírito da época – quando a salvação da alma achava-se no centro da pregação religiosa --, trata-se de um texto literário para ler não só lido prazeirosamente como amplamente difundido. A tradução de Hernani Donato atende plenamente a tais exigências.
Don Juan, O Misantropo e Tartufo, de Molière Molière escreveu trinta peças e as encenou, assumindo não só o encargo de dirigilas como a representação de um dos papeis centrais. Muitas delas alcançaram retumbante sucesso imediato e outras continuam até hoje atraindo grande público, em muitos países. As três peças cujo conteúdo é brevemente referido adiante –Don Juan (1665); O Misantropo (1666) e Tartufo (1666/1669) – dão bem uma idéia do seu estilo e da forma pela qual contribuiu para enriquecer o Cânon Ocidental.
Dom Quixote, de Cervantes Miguel de Cervantes (1547/1616), nascido na Espanha, viveu na Itália onde, entre outras coisas, alistou-se nas tropas que deviam enfrentar a invasão turca, tendo participado da famosa batalha de Lepanto*, na qual perdeu a mão esquerda. Em seu regresso à Espanha caiu prisioneiro dos turcos, condição em que viveu durante cinco anos, quando os familiares conseguiram a quantia exigida pelo resgate, forma habitual, na época, pela qual era negociada a liberdade de prisioneiro de guerra. Chegado finalmente á Espanha ainda permanece como militar durante algum tempo, radicando-se em seguida em Madrid. Exerceu funções públicas, sendo nessa fase da vida que escreveu Dom Quixote, cuja primeira parte foi editada em 1605 e, a segunda, dez anos depois. Somente após a sua morte teria o seu talento reconhecido. Escreveu também obras teatrais e outras novelas, como então se denominava o gênero literário de sua obra capital.
Doutrina da virtude, de Kant Além da Fundamentação da metafísica dos costumes (1785), Kant publicou ainda dois outros livros dedicados à moral: Crítica da razão prática (1788) e Doutrina da virtude (1797). A Crítica da razão prática atende tão somente à intenção sistemática do autor, já que estava convencido devesse o sistema seguir-se ao conjunto das críticas. Não foi entretanto bem sucedido, sendo esta tarefa (de conceber um sistema de inspiração crítica, isto é, segundo a perspectiva transcendental) empreendida por seus sucessores. Deste modo, para perfeito entendimento da ética kantiana são suficientes a primeira e a última das obras antes referidas.
(As) Duas fontes da moral e da religião, de Henri Bérgson Com As Duas Fontes da Moral e da Religião (1932), Bérgson retoma a investigação iniciada por Biran e explora uma de suas intuições básicas, como indicaremos.Segundo Bérgson, se bem que a sociedade seja constituída de vontades livres, isto é, que o homem preserve o livre arbítrio, transforma o hábito em algo semelhante ao que a necessidade representa para aqueles organismos que agem por instinto. O sistema de hábitos pressiona a vontade de cada um dos membros da sociedade de modo que acabam por fazer com que esta última imite aquelas plenamente instintivas, de que o formigueiro é um exemplo típico. Os caminhos traçados pela sociedade tornam-se imanentes a cada um de seus membros, sem que cheguemos a nos dar conta. E quando nos encontramos diante de uma situação exigente de decisão pessoal, a sociedade é mobilizada dentro de nós, fazendo com que emirja o que Bérgson denomina de totalidade da obrigação, que define deste modo: “o extrato concentrado, a quintessência que contraímos, no sentido de obedecer a milhares de exigências particulares da vida social.” Engendra-se desse modo o que classifica como moral fechada. A convivência social, ao contrário do que supunha Augusto Comte, não engendra o amor da humanidade mas o amor ao grupo social ao qual cada um se integra.
Édipo Rei e Antígona, de Sófocles Na peça de Sófocles, a história de Édipo vai sendo desvendada aos poucos. A situação de Tebas é dramática, vítima da peste, colheitas perdidas, o gado morrendo. O deus dos Infernos, Hades, alegra-se com as lamentações da cidade, segundo o sacerdote a quem Édipo convoca, na condição de Rei. A recomendação, ao dirigente máximo, é que busque orientação com o oráculo. Esta vem pela palavra de Creon (irmão de Jocasta e cunhado do Rei): é preciso vingar a morte de Laos. Começa assim a reconstituição do trágico incidente. Na medida em que se torna claro que, em cumprimento à profecia matara o pai e vivia com a mãe, Édipo reage violentamente.
(A) Educação para o homem moderno, de Sidney Hook Sidney Hook (1902-1989) foi um dos mais destacados discípulos de John Dewey e da corrente filosófica norte-americana denominada de pragmatismo. Ensinou filosofia na Universidade de Nova York a partir de 1934. Socialista e apreciador de Marx, considerava a experiência soviética a grande tragédia do século, na medida em que atentava contra o sistema democrático-representativo, justamente a grande conquista da humanidade. Tornou-se o principal defensor da tradição de proceder-se à leitura das obras clássicas, como condição de permanência na universidade, sendo justamente o autor de um entendimento das humanidades que encerrou uma polêmica clássica na obra que caracterizaremos a seguir. Quando se pretendeu nos Estados Unidos que a seleção de leituras, nos institutos universitários chamados de Liberal Arts, adotasse critérios políticos, apresentou um argumento digno de registro em relação a Santo Agostinho. Reclamava-se a inclusão de um autor negro, por essa simples condição. Hook lembrou que Santo Agostinho era do Norte da África e as descrições de sua pessoa, que chegaram até nós, indicam que tinham a pele escura. Porém, a sua presença no Canon Ocidental em momento algum levou em conta tal circunstância, mas apenas o significado de sua obra para a nossa cultura.
EINSTEIN, Albert A questão de saber que influência poderia ter sobre as mensurações relacionadas aos corpos no espaço, o fato de que a Terra achava-se em movimento, veio a ser suscitada desde que se aventou a teoria heliocêntrica. A resposta de Galileu (no Diálogo) consistiu em argumentar que as experiências físicas sobre corpos em movimento, feitas a bordo de um navio, em uma cabine abaixo dos tombadilhos, não indicariam ao observador se o navio estava parado ou navegando a velocidade constante. Newton supunha que, num caso como no outro, isto é, na hipótese do corpo encontrar-se em repouso ou em movimento, o resultado seria idêntico. Ainda que Newton não o admitisse – na medida em que postulava espaço e tempo absolutos – a última afirmativa correspondia a uma simples convenção. Em fins do século XIX a questão seria reaberta, notadamente por Henri Poincaré ao tratar do papel da hipótese na efetivação das observações científicas. Colocara precisamente esta questão: baseando-se as medidas efetivadas na Terra na convenção de que se encontraria em repouso, seriam válidas aquelas leis? As experiências relacionadas à energia do núcleo atômico terminaram por colocar na ordem do dia o tema em causa,. A solução seria encontrada por Albert Einstein.
Elementos, de Euclides Euclides viveu de 330 a 275 a.C. e encontrava-se em Alexandria por volta do ano 300, depois de educar-se em Atenas. Foi o primeiro diretor do departamento de matemáticas do Museu. Embora não seja considerado como o mais original e criativo dos matemáticos gregos, possuía um conhecimento muito detalhado da tradição dessa disciplina na Grécia, incumbindose diretamente de sistematizá-lo e ordená-lo em seus Elementos.Colin A. Ronan, da Universidade de Cambridge, historiador da ciência afirma a esse propósito: “A fama de Euclides repousa basicamente nos Elementos, síntese sistemática da geometria grega que, até muito recentemente, foi a base de todo o ensino dessa ciência no Ocidente. Na verdade, sua influência foi muito maior: considera-se que seu método de síntese – seus axiomas, postulados, teoremas e provas – afetou o pensamento ocidental mais do que qualquer outro livro, exceto a Bíblia. Teve, por certo, um efeito profundo no modo pelo qual os problemas são resolvidos, pois é magistral a maneira lógica com que Euclides faz cada proposição seguir-se às previamente demonstradas”. (História Ilustrada da Ciência. Universidade de Cambridge. Vol. I – Das origens à Grécia. Rio de Janeiro, Zahar, 1987, p. 117).
Eletra, de Sófocles Na mitologia grega, Eletra pertence a família maldita Atrides, integrada por importantes e lendários personagens, justamente os responsáveis pela guerra de Tróia. A ofensa que aquela família devia reparar consistia na sedução de Helena, mulher de Menelau, rei de Mecenas e Argos, por Páris, que a levara para aquela cidade. A expedição contra Tróia seria comandada por Agamenon, irmão de Menelau.O que nos interessa da trama diz respeito ao assassinato de Agamenon por sua mulher (Clitmenestra) e pelo amante (Egisto). Agamenon havia sacrificado aos deuses uma de suas filhas (Ifigênia), o que teria dado a Clitmenestra o pretexto para tramar o seu assassinato, que consumaria em parceria com Egisto. A lenda admite supor que, na verdade, seu objetivo era livrar-se do marido para permanecer com o amante.
ELIADE, Mircea Mircea Eliade nasceu na capital da Romênia (Bucareste) em 1907. Depois de adquirir a sua formação intelectual na pátria de origem e interessando-se pelo estudo das religiões, concluiu a Universidade de Calcutá, na Índia, onde permaneceu de 1928 a 1931. De volta a Bucareste publicou seus primeiros estudos em 1935, versando a religião hindu. Durante a guerra, viveu em Lisboa, radicando-se em Paris no pós-guerra, durante muitos anos, como professor da École des Hautes Études. Finalmente deu cursos e orientou teses na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. Faleceu nessa última cidade, aos 79 anos, em 1986.
Eneida, de Virgílio Virgílio (em latim Publius Vergilius Maro) nasceu em Andes, vilarejo perto de Mântua, na Itália, no ano 70 a. C., passando a residir em Milão e depois em Roma, antes de completar 20 anos (no ano 55). Em Roma freqüentou os círculos intelectuais. Sem perder estes vínculos, retira-se para o interior (ano 44). Nessa fase escreve Bucólicas, que correspondem à idealização da vida no campo, seguindo aliás uma tradição iniciada na Grécia pelo poeta Teócrito, autor de Idélios. As Bucólicas proporcionaram-lhe merecido prestígio.
(O) Ensaiador e Diálogo sobre os dois maiores sistemas do mundo, de Galileu Considera-se que O Ensaiador (1623) contenha as indicações básicas acerca do método de investigação da natureza que deu origem à física moderna. A primeira versão dessa ciência estaria contida no Diálogo sobre os dois maiores sistemas do mundo (1632). Os dois textos representam o fundamental da contribuição de Galileu.O Ensaiador não corresponde a uma exposição sistemática. Trata-se da refutação às críticas que lhe vinham sendo endereçadas e, por isto mesmo, desenvolve-se ao sabor dessa refutação. Contudo, apresenta claramente a diferença do seu método em relação à física de Aristóteles.
Ensaio sobre neutralidade axiológica, de Max Weber O Ensaio sobre neutralidade axiológica nas ciências sociológicas e econômicas teve uma primeira versão que Max Weber apresentou para discussão na Associação de Política Social, de Berlim, em 1913, refundido-a mais tarde e divulgando-a em 1917. Esse texto tornou-se uma referência fundamental no processo de formalização da sociologia e determinação de seu objeto.O termo axiologia (do grego axiologos, digno de ser dito) começou a ser empregado no começo do século para designar o estudo dos valores que então se estruturava, no ciclo inicial abrangendo apenas os valores morais e, subseqüentemente, os demais. Weber o emprega no sentido amplo.
(O) Ensaio sobre o entendimento humano, de Locke O Ensaio sobre o entendimento humano, de John Locke (1632-1704), foi muito bem sucedido no que se refere à atribuição de um novo objeto a filosofia, embora não se trate propriamente da aceitação das teses e da doutrina lockeana. Segundo o seu entendimento, a filosofia resumir-se-ia a uma teoria do conhecimento.Locke estabelece como premissa geral, no Livro I, a tese de que não há idéias nem princípios inatos. A suposição de que o homem estaria de posse desse tipo de conhecimento aparece ainda na Filosofia Antiga. Platão a denomina de anamnese (reminiscência, recordação) e a define deste modo no diálogo Menon: “Como a alma é imortal e nasceu muitas vezes e viu todas as coisas, tanto aqui como no Hades, nada há que ela não tenha apreciado; de modo que não espanta o fato de que possa recordar, seja em relação à virtude, seja em relação a outras coisas, o que antes sabia”. Essa hipótese foi preservada pelo platonismo e reaparece no Renascimento, sendo retomada por autores ingleses do século XVII, contra os quais se volta Locke. Embora lhe dando uma formulação nova, as idéias inatas são admitidas por Descartes e Leibniz. Para este são inatas as verdades que se revelam imediatamente como tais à luz natural, sem necessidade de recorrer-se a outra verificação.
Ensaios, de Arquimedes Na Grécia Antiga deu-se especial atenção à chamada especulação filosófica, dedicada sobretudo à elaboração conceitual. Entendia-se também que esse tipo de saber devia apoiar-se na dialética, método de efetivar a discussão. Na circunstância, exemplos práticos eram de pouca valia. Contudo, Aristóteles, que é o grande sistematizador do conhecimento obtido por aquele meio – tornando-o disciplinas específicas, rigorosamente delimitadas umas das outras (Metafísica, Física, Lógica, etc.) –, também promoveu o registro de observações relativas aos corpos (astros, animais) e ao próprio homem (tipos de temperamento; papel da memória, do sono, etc.). Contudo, o desenvolvimento científico propriamente dito seria posterior, efetivado no Museu de Alexandria, notadamente na época de seu florescimento (fins do século IV ao século III antes de Cristo). Embora não se saiba se Arquimedes (c. 287 a 212 a.C.) teria trabalhado diretamente no Museu, atuou segundo o seu espírito, ao criar uma área nova de investigação, a mecânica, que, entretanto, somente assumiria feição acabada na Época Moderna, com a emergência da nova física. Era natural de Siracusa, na Sicília, parte que então se chamava de Magna Grécia, tendo sido morto por um soldado romano naquela mesma cidade.*
Ensaios, de Montaigne Rodolfo Mondolfo (1877/1976) ensinou-nos que o humanismo renascentista emerge para contrapor-se a uma tendência que se tornara dominante no seio do pensamento religioso e na atuação da Igreja Católica, ainda que não exclusiva, responsável pelo aviltamento da pessoa humana em expressões tais como a Inquisição. A par da exaltação do homem – acerca do qual se afirma que pode equiparar-se à divindade pela intensidade do conhecimento, sendo atributo exclusivo de Deus sua infinita extensão --, a Igreja vinha sendo duramente criticada por se ter deixado absorver pela mundanidade. Num ambiente destes, qual será o destino do código moral da Cristandade? A perplexidade gerada pelo curso histórico, no século XVI, explica o sentido da meditação de Montaigne, e, ao mesmo tempo, a perenidade de que vieram a revestir-se os Ensaios, na medida em que as questões ali suscitadas são de todos os tempos.
Esaú e Jacó e Memorial de Aires, de Machado de Assis O Conselheiro Aires regressou ao Brasil em fevereiro de 1888, depois de ter passado grande parte de sua vida no exterior, como diplomata. Voltou em definitivo ao país por ter se aposentado. Confidencía Machado de Assis: “Quando o Conselheiro Aires faleceu, acharam-se- lhe na secretária sete cadernos manuscritos, rijamente encadernados em papelão”. Os seis primeiros numerados e, o sétimo, batizado de último. Entendeu-se que era para ser publicado em separado. Machado de Assis assim explica o título:: “Quanto ao título, foram lembrados vários, em que o assunto se pudesse resumir, Ab ovo, por exemplo, apesar do latim; venceu, porém, a idéia de lhe dar estes dois nomes que o próprio Aires citou uma vez: Esaú e Jacó.”
Escritos políticos, de Kant Embora Kant não haja dedicado expressamente nenhuma obra à política, tratou de questões relacionadas ao tema em diversos textos. Assim, por exemplo, no livro que intitulou de Para a paz perpétua (1796), formulou aquelas regras que deveriam reger as relações entre as nações – inclusive o princípio da autodeterminação dos povos – adotadas pela Organização das Nações Unidas. Devido ao fato, há em muitas línguas coletâneas com o título de Escritos políticos. Entre os mais famosos comentários desses textos encontra-se Direito e Estado no pensamento de Immanuel Kant, de Norberto Bobbio, traduzido ao português pela Editora da Universidade de Brasília, sucessivamente reeditado.
ESPINOSA, Baruch Espinosa nasceu em 1632, na cidade de Amsterdã, e morreu em 1677 em Haia, a 21 de fevereiro. Em novembro do mesmo ano foi publicada a maior parte de suas obras, sob o título de Obras Póstumas.O grande pensador e crítico português, Joaquim de Carvalho esclareceu com precisão as origens judaico-portuguesas de Baruch de Espinosa. Filho de Miguel de Espinosa (natural de Vifigueira, Portugal), e de Hanna Debora Espinosa, segunda mulher de Miguel. Hanna Debora, a mãe, muito provavelmente era portuguesa. Tendo falecido quando Baruch contara 5 anos de idade, a educação da criança ficou a cargo da madrasta, Ester de Espinosa, natural de Lisboa. Embora o nosso autor conhecesse várias línguas, foi o português a sua língua-familiar. A respeito, escreve Joaquim de Carvalho: “O hebreu, o latim, e o holandês foram sem dúvida os instrumentos da sua formação filosófica e científica; mas temos por certo que a língua familiar da puerícia e adolescência foi o português”.
(O) Espírito das leis, de Montesquieu Charles Louis de Secondat tornou-se conhecido pelo título de nobreza (Barão de Montesquieu). Nasceu no castelo da família, nas proximidades de Bordeaux, França, em 1689, educou-se na Ordem dos Oratórios e participou da administração local, seguindo a tradição da família. Mas acabou dedicando-se exclusivamente às atividades intelectuais, como membro da Academia Francesa. Publicou Cartas Persas (1721) – romance filosófico em que tem lugar uma correspondência imaginária de cidadãos persas, chegados à Europa, como pretexto para satirizar a sociedade francesa – e a obra histórica Considerações sobre a grandeza dos romanos e sua decadência (1734). Contudo, sua fama provém de O espírito das leis, publicado em 1748. Faleceu em Paris em 1755, aos 66 anos de idade.
ÉSQUILO Ésquilo é o mais velho dos três grandes dramaturgos gregos cuja obra chegou até nós, sendo os dois outros Sófocles e Eurípedes. Dentre as criações originais* da Grécia Antiga, sobressai a tragédia.Tudo indica que o interesse pelo teatro era muito grande, razão pela qual assumiu feição bem definida. Pelo menos é a impressão que se recolhe dos achados arqueológicos, embora talvez o quadro do qual se dispõe de maior informação (situado no V século antes de Cristo) possa ter resultado de longa evolução, como supõem muitos estudiosos. Tinha forma côncava, isto é, escavado para situar os espectadores não apenas ao nível do palco como também em posições mais elevadas. O local em que as pessoas se sentavam era circular e estendia-se até a metade da circunferência, de modo a ficarem de frente para o palco. Adiante da cena achava-se a orquestra, onde se localizava o coro, sendo este liderado pelo corifeu. Ambos, coro e corifeu, ocupam papel central na peça. O número de atores na cena é reduzido a dois ou três.
(Um) Estudo da história, de Toynbee Arnold Toynbee (1889/1975) escreveu os 12 volumes que compõem Um estudo da história num período muito dilatado, entre 1934 e 1961. Estão estudadas 23 civilizações. A civilização helênica serviu de modelo por considerá-la, como diz, completa, dispondo-se inclusive de fontes confiáveis para reconstituí-la. O outro modelo é a chinesa. Entende que "o modelo helênico é tão aplicável à fase primitiva na história das civilizações como o modelo chinês às fases posteriores". A utilização de tais modelos não pode ser linear. Como explica, "não somente tive de reconhecer a existência de outras sociedades do mesmo tipo, do qual a helênica e a chinesa eram representantes, também tive que dar nomes, provisoriamente, a algumas dessas outras civilizações e especificar limites para elas, tanto no tempo como no espaço."
Estudos políticos, de Raymond Aron
Ética a Nicômaco, de Aristóteles Enquanto na tradição judaica, incorporada ao Velho Testamento, a moral é ensinada como sendo constituída de preceitos sugeridos diretamente pela divindade, sendo obrigatórios para todos, o pensamento grego está voltado para a delimitação das esferas da vida humana. Nessa busca é que iria esbarrar com o problema. Os gregos chamaram de ética à elaboração teórica que se ocupa dos costumes (moral), denominação que veio a ser consagrada. Ao contrário da moral judaica, na Grécia as regras morais não eram obrigatórias. Tratava-se de um aprendizado difícil, que não era dado a todos. Para que a pessoa se tornasse virtuosa eram requeridos certos pressupostos (tinha que ter boa saúde e adequada aparência física; ser dotada de posses; ter atingido certa idade e maturidade, sendo inacessível aos jovens, etc.). Embora a preocupação com a vida em sociedade e com o comportamento humano tenha uma longa história, Aristóteles é o autêntico fundador da mencionada disciplina filosófica.
(A) Ética protestante e o espírito do capitalismo, de Max Weber
(A) Ética, de Espinosa Ao contrário do que pode sugerir o título, a obra consiste numa meditação sobre Deus, concebida em termos puramente racionais, apresentada seguindo o modelo das obras matemáticas e geométricas que faziam aparição, dando início à Época Moderna. Escrito provavelmente na década de sessenta do século XVII, editou-se, juntamente com os textos que havia publicado em vida, postumamente, em 1677.Sendo profundamente religioso, Espinosa entende que para alcançar serena e terna bem-aventuranças, o homem precisa dispor de um conhecimento correto de Deus. Para indicar o caminho a ser percorrido na conquista de tal objetivo, vale-se das indicações de Descartes quanto ao método, a fim de eliminar as representações confusas e chegar a idéias claras e distintas.
EURÍPEDES Eurípedes nasceu em 480, em Salamina, e morreu em 406, na Macedônia, onde se achava a convite do rei (Arquelau), no mesmo ano em que faleceu Sófocles. Enquanto este completara 89 anos, sendo bem mais moço, Eurípedes morreu aos 74 anos. Sua primeira peça teria sido encenada em 438, aos 42 anos. Sua atividade teatral desenvolveu-se portanto ao longo das três décadas subseqüentes, quando o acontecimento marcante correspondia à Guerra do Peleponeso, que se iniciara em 432. Eurípedes não assistiria ao seu desfecho, com a derrota de Atenas, ocorrido em 405, um ano após a sua morte.Teria escrito 92 peças, das quais restaram 18. Ainda que não exista classificação consensual, é possível destacar desse legado alguns conjuntos através dos quais sua obra tornarse-ia perenemente festejada.
Experiência e cultura, de Miguel Reale Miguel Reale é considerado como o maior filósofo brasileiro do século XX (nasceu em 1910). Descendente de italianos, tornou-se professor da tradicional Faculdade de Direito de São Paulo e também ocupou altos cargos administrativos em seu estado natal, entre estes o de reitor da Universidade. Fundou em 1950 o Instituto Brasileiro de Filosofia (IBF), instituição que passou a abrigar representantes de todas as correntes filosóficas, fato sem precedentes porquanto, até então, as sociedades desse tipo congregavam apenas os participantes de uma única tendência. Granjeou reconhecimento internacional para a filosofia brasileira do direito. Ao completar 80 (1990), 85 (1995) e 90 anos (2000) promoveram-se eventos em sua homenagem.
Explicações científicas, de Leônidas Hegenberg A compreensão da natureza real do conhecimento científico tornou-se uma questão complexa na cultura luso-brasileira, devido à presença do denominado cientificismo. Por isto, parece essencial ter presente que a ciência moderna não se propõe substituir a religião ou a filosofia nem pode facultar as bases para a formulação de um código moral substitutivo daquele que tem presidido a evolução da cultura ocidental; bem como o entendimento de que, ao falarse de ciência política, quer-se designar uma disciplina capaz de aplicar os recursos científicos ao estudo do fenômeno político, ao invés da suposição de que se trataria da possibilidade de um “governo científico”.
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