BURKE, Edmund
Nasceu em Dublin, capital da Irlanda, em 1729 e ali mesmo concluiu a sua formação acadêmica, estudando inclusive no famoso Trinity College. Revelou desde logo interesse por questões filosóficas, publicando em 1756, com 27 anos de idade, dois livros desse teor. O primeiro dedicado ao debate da tese de que a constituição da sociedade teria sido precedida pelo estado de natureza, no qual inexistiriam regras legais. Imaginou, entre as duas situações, o que chamou de “sociedade natural”. Essa tese não prosperou. Em contrapartida, o segundo livro – Inquérito filosófico sobre a origem das idéias de sublime e beleza –, alcançaria repercussão nos círculos especializados. Kant teria oportunidade de referi-lo expressamente e considera-se que se teria deixado influenciar. Entretanto, Burke preferiu dedicar-se à atividade política, tendo sido eleito para integrar o Parlamento.Deu-lhe grande nomeada o livro que publicou em oposição à Revolução Francesa (Reflexões sobre a revolução na França, 1790).
Considerando que nessa última obra posiciona-se francamente a favor da tradição, alguns autores tomam-no como iniciador do tradicionalismo político. A classificação, entretanto, não é correta, na medida em que se trata de uma espécie de conservadorismo contrário às instituições do sistema representativo e, por isto mesmo, radicalmente diverso do conservadorismo liberal. Além disto, Burke sequer mereceria o qualificativo de conservador porquanto militava nas hostes liberais (embora a criação do Partido Liberal inglês seja posterior ao seu falecimento, pertencia ao grupo que lhe deu origem, então denominado de whig, em contraposição a torie, corrente que, por sua vez, desembocaria no Partido Conservador).Finalmente, é o primeiro autor que procura discutir a questão da natureza da representação política, no texto que se tornaria clássico, intitulado Discurso aos eleitores de Bristol (1774).
Faleceu em 1797, aos 68 anos de idade. (Ver também MILL, John Stuart).


