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(O) Antigo Regime e a Revolução, de Alexis Tocqueville L’Ancien Régime et la Révolution corresponde, na agitada vida intelectual de Tocqueville, à obra da maturidade. A sua elaboração foi, no espírito do nosso autor, um bálsamo para as feridas morais causadas pela decepção que lhe causara a participação política com os rumos tomados pela revolução de 1848. O período de maturação da obra foi longo.O plano detalhado de L’Ancien Régime et la Révolution foi elaborado em dezembro de 1850, em Sorrento, na Itália, onde Tocqueville permaneceu até março de 1851, se recuperando de uma crise de tuberculose, doença que lhe causaria a morte anos mais tarde, em 1859. Ao longo de 1852, o nosso autor começou o seu trabalho de busca e organização de documentos, tendo realizado, também, uma enquête na Normandia. O trabalho de pesquisa continuou em 1853 em Tours, onde o nosso autor estudou os Arquivos da Intendência relativos ao século XVIII. Em 1854, entre os meses de julho e setembro. Tocqueville viajou à Alemanha, onde, em Bonn principalmente, estudou as características da feudalidade. Ao longo de 1855 o autor deu forma final à obra, que apareceu publicada em junho de 1856 pelo editor Michel Levy, de Paris.
ARISTÓTELES Pela obra monumental que realizou, no sentido do ordenamento geral do saber, é a figura central do período histórico chamado “milagre grego”, que compreende aproximadamente de meados do século V antes de Cristo, quando se inicia o governo de Péricles em Atenas, aos fins do século IV, quando a Grécia perde a independência para a Macedônia. Costuma-se indicar que Aristóteles teria nascido no ano de 384, em Estagira, na Macedônia (sendo por isto às vezes chamado de “o Estagirita”). Tornou-se discípulo de Platão, em Atenas, durante cerca de vinte anos. Quando este faleceu (em 348), viajou pela Ásia Menor, estabelecendo-se finalmente na Corte do rei Felipe da Macedônia, onde foi preceptor de seu filho Alexandre, conquistador do mundo conhecido em sua época, graças ao que seria denominado de O Grande. Em 335, Aristóteles regressou a Atenas, onde fundou a sua própria escola, o Liceu. Em 323 foi obrigado a abandonar a cidade, devido à perseguição que lhe moviam os inimigos do ocupante macedônio. Faleceu no ano seguinte, com presumíveis 62 anos de idade.
ARENDT, Hannah Nasceu em 1906, em Koenigsberg, então integrada à Alemanha unificada, numa próspera família judia. Matriculou-se na Universidade de Marburgo em 1924, aos 18 anos. Pretendia estudar teologia, mas direcionou-se para a filosofia graças ao encontro com Martim Heidegger (1889/1976), com quem teve um caso amoroso. Estudou ainda com dois outros filósofos de nomeada – Edmund Husserl e Karl Jaspers – sendo que elaborou a sua tese sobre a orientação do último, tendo por tema o conceito de amor em Santo Agostinho. Perseguida pelos nazistas, fugiu da Alemanha em 1933 tendo vivido em Paris e depois passado aos Estados Unidos. Radicou-se nesse país e adotou a cidadania norte-americana.
ARON, RaymondAron concluiu a Escola Normal Superior de Paris e seguiu a carreira do magistério, ingressando no Corpo Docente da Universidade de Colônia (1930) e na Casa Acadêmica de Berlim (1931 a 1933). A ascensão do nazismo na Alemanha forçou-o a regressar à França onde se inscreve no doutorado em filosofia, concluído em 1938. Interessava-o, nesta fase inicial da vida profissional, o tema da filosofia da história, a que dedicou seus dois primeiros livros: Essai sur la théorie de l’histoire dans l’Allemagne contemporaine, la philosophie critique de l’histoire (Paris, Vrin, 1938) e Introduction à la philosophie de l’histoire, Paris, Gallimard, 1938. Considera-se que seria o autor melhor sucedido da filosofia neokantiana da história, tendo a essa matéria dedicado ainda diversos ensaios, alguns deles reunidos no livro Dimentions de la consciente historique (Paris, Plon, 1960).
(A) arte de amar. de Ovídio Ovídio (Públio Ovídio Nasão) nasceu em 43 antes de Nossa Era e faleceu a 17, aos 60 anos, portanto, período que corresponde precisamente à substituição da República pelo Império, de grande esplendor e florescimento. Sob a égide do primeiro imperador, o renomado Augusto (nasceu a 63 a. C. e reinou a partir de 27, tendo falecido a 14 de Nossa Era). Plasmamse as novas instituições, além de que bem sucedida a sua política de proteger as artes desde que registra a presença de grandes poetas como Virgílio e Horácio – e naturalmente o próprio Ovídio --, de historiadores (Tito Lívio) e gramáticos. Ovídio perderia a proteção imperial, sendo exilado, aos cinqüenta anos de idade. Supõe-se que tenha sido vítima do empenho de Augusto em reprimir a licenciosidade que se admite existiria no Império, notadamente em matéria sexual. A poesia de Ovídio, pelo seu sentido erótico, estimularia o estado de coisas que o Imperador se dispunha a combater. Sabe-se que declamava nos meios mais cultos, levando-os a verdadeiro delírio.
ASSIS, Machado de Machado de Assis inclui-se entre os maiores escritores da língua portuguesa sendo, sem favor, o maior do Brasil. Essa não é, por certo, razão suficiente para incluí-lo no Cânon Ocidental. Tendo chegado ao centro do palco quando este já se achava povoado por tipos humanos inventados por autores do porte de Shakespeare, Cervantes e tantos outros, nem por isto assustou-se e imaginou que não haveria espaço para mais ninguém. Ao invés disto, soube introduzir na cena Brás Cubas, Quincas Borba, o Conselheiro Aires que logo sentiram-se à vontade em tão honrosa companhia. Mais que isto, seus principais personagens cultivam uma determinada atitude diante da vida. Não se trata de conformismo nem de apologia de atitudes cínicas, mas a aceitação do inevitável e a capacidade de reagir com bom humor às situações mais inesperadas. Além disto, sua prosa alcançou verdadeiro primor. Como diz Harold Bloom, “a genialidade de Machado de Assis é manter o leitor preso à narrativa, dirigir-se a ele freqüente e diretamente, ao mesmo tempo em que evita o mero “realismo” ... É uma espécie de milagre, mais uma demonstração da autonomia do gênio literário, quanto a fatores como tempo e lugar, política e religião, e todo o tipo de contextualização que supostamente produz a determinação dos talentos literários.” *
Atomic Quest – a Personal Narrative, de Arthur Compton A comprovação de que o átomo, ao contrário de ser indivisível, podia desagregar-se e produzir efeitos inesperados, exigiu prazo muito dilatado. Sua investigação começa de forma aparentemente distanciada, na década final do século XIX, centrada na análise de gases rarefeitos. Aquilo que se poderia denominar de corolário tem a Arthur Compton (1892/1962) como um de seus artífices.A técnica do estudo desses gases rarefeitos consistia em fazer que brilhassem, estado no qual poderiam ser examinados no aparelho denominado espectroscópio. O passo seguinte consistiu na hipótese de que emitiriam algum tipo de radiação, tratando-se de elementos muito diminutos, de difícil mensuração. As técnicas para efetivá-la versam o que se chamou de “raios X” por não se saber como designá-los. O casal Curie conseguiu, na França, na mesma época, isolar um desses elementos, concluindo-se que deveriam corresponder a alguma propriedade do átomo. Agora o estudo dizia respeito à radiação ou à radiatividade (termo este criado pelos Curie), chegando-se a denominar aqueles raios de elétrons. Por volta de 1910 já se admitia que o elétron era uma partícula subatômica e, portanto, a divisibilidade do átomo. Fala-se então em imaginar um modelo dessa estrutura desconhecida, já que parecia impossível medir com precisão os seus componentes e diferenciá-los.
(As) Aventuras de Hulkeberry Finn, de Mark TwainMark Twain (1835/1910), pseudônimo literário de Samuel Langhorne Clemens, conquistou em caráter pioneiro um lugar na cultura ocidental para o romance norte-americano, por haver sabido traduzir num relato vivaz a experiência de uma infância livre e despreocupada, ignorando os valores de uma sociedade puritana e acabando por incorporá-los apesar da resistência aparente. As aventuras de Huckleberry Finn (1884) tornaram os membros da “Quadrilha de Tom Sawyer” figuras marcantes por suas aventuras ingênuas e inconseqüentes.
BACON, Francis Nasceu em Londres, em 1561, estudou em Cambridge e exerceu altos cargos no governo, sendo inclusive Lorde Chanceler no reinado de Jaime I, que subiu ao trono com a morte de Elizabete I, em 1603. Bacon faleceu em 1626, aos 65 anos de idade, um ano depois de Jaime I.Francis Bacon dá início a uma linhagem da Filosofia Moderna que muito prosperou na Inglaterra. Enfrentou a questão teórica da experiência, que não era valorizada pela Escolástica Medieval, que, entretanto, passou a revestir-se de palpitante atualidade com os descobrimentos e a nova “visão do mundo” que se adquiriu, francamente contraposta à tradição.
BENTHAM, Jeremy Nasceu em Londres, em 1748, estudou em Oxford e dedicou-se a conceber reformas no sistema jurídico e político de que pudesse resultar a elevação do nível de participação das pessoas na vida política. Na sua visão, o caminho do aprimoramento das instituições passava pela crítica dos cidadãos, o que, por sua vez, requeria a existência do maior grau de liberdade. Essa proposta, de índole democrática, não foi assim denominada mas de radical. Sua obra fundamental – Princípios da Moral e da Legislação (1789) – alcançou certa repercussão no continente europeu, influindo em muitos constitucionalistas do início do século. Alguns delegados das Cortes de Cadiz manifestaram expressamente conhecer e aceitar as idéias de Bentham, ainda que a Constituição de 1812, ali aprovada – que teve grande influência na América e na Revolução do Porto de 1820 – se inspirasse sobretudo na primeira Carta aprovada pela Revolução Francesa. Na Inglaterra, contudo, as idéias reformistas de Bentham, que estavam na base do chamado movimento cartista da década de quarenta – reivindicando sufrágio universal e outras propostas de índole democrática – não foram introduzidas naquela oportunidade. Como a Inglaterra acabaria, mais tarde, adotando propostas análogas, entende-se que a liderança liberal do país deu preferência à experimentação gradual, recusando as sugestões de Bentham por seu caráter abstrato, desde que deduzidas de considerações filosóficas sobre a natureza humana. De todos os modos, o radicalismo não deixou de beneficiar-se do que se convencionou denominar de democratização da idéia liberal. Ainda no século passado, muitas agremiações políticas, simpatizantes da causa liberal, chamaram-se Partido Radical ou denominações afins, como se deu na Argentina, onde o partido liberal até o presente chama-se União Cívica Radical.
BERGSON, Henri Nasceu em Paris em 1859, numa família judia estabelecida e culta, tendo revelado desde cedo grande interesse pela matemática. Seria aluno destacado dos melhores colégios, tendo concluído o curso universitário na tradicional École Normale Superiéreure, em 1881, aos 22 anos, onde adquiriu sólida formação filosófica. Seguiu a carreira de professor de filosofia no ensino secundário (Liceu). Ao longo das duas décadas seguintes, chegou a algumas conclusões que soube comunicar ao público, permitindo-lhe tornar-se professor do Collège de France, a partir de 1900, onde conquistou crescente renome. Naquele período publicou dois livros em que apresenta essa novidade (Essai sur lês données immédiates de la conscience e Matiére et mémoire).
BERLIN, Isaiah Nasceu em Riga, Letônia, em 1909, quando aquele país báltico pertencia ao império russo. Com a queda da monarquia em fevereiro de 1917, a família transferiu-se para a capital (São Petesburgo). Seguindo-se, em novembro, a tomada do poder pelos comunistas e estabelecendo-se clima de perseguição policial, seus pais optaram por emigrar para a Inglaterra. Estávamos em 1919 e Isaiah Berlin tinha apenas 10 anos de idade. De modo que foi educado na pátria por adoção e acabou tornando-se um dos mais destacados representantes da intelectualidade inglesa do século XX. Esteve ligado à Universidade de Oxford por mais de 60 anos, como aluno, professor e presidente de um dos College. Recebeu diversos prêmios literários e títulos honoríficos das Universidades de Yale, Harvard, Cambridge, Atenas, Bolonha e Toronto, entre outras. Foi presidente da Academia Britânica. Faleceu em 1997, aos 88 anos de idade.
BERNSTEIN, Edward Edward Bernstein nasceu em Berlim a 6 de janeiro de 1850, numa família judia. Concluiu o Ginásio e estudou Contabilidade e Economia. Ingressou muito jovem, aos 22 anos, no Partido Social Democrata. Trabalhava então num banco. Devido à vigência das leis antisocialistas, sob Bismarck, emigrou para a Suíça. Ali trabalhou numa revista socialista. Mais tarde tornou-se o responsável pela revista teórica da social-democracia também editada na Suíça. Em 1888, devido às exigências de Bismarck ao governo suíço, mudou-se para Londres, onde permaneceu até 1901. Na capital britânica mantinha estreito contato com Engels, até sua morte em 1895. Ainda que sua crítica às teses centrais do marxismo se tenha desenvolvido sob as vistas de Engels, o fato não abalou a confiança e a amizade entre os dois.
(A) Bíblia Os livros do Antigo Testamento não têm autor, no sentido moderno do termo. Consistem no recolhimento de uma tradição oral que data de séculos. As narrações de cunho histórico e as leis consagradas eram transmitidas às gerações sucessivas, na própria vida cotidiana, ao mesmo tempo que, nos santuários, tais elementos assumiam a forma de cânticos ou orações. As tentativas de preservá-los através da escrita também se perdem no tempo. Admite-se, contudo, que, por volta do quinto século antes de nossa era, hajam assumido a feição que chegou aos nossos dias.
BIRAN, Maine de O pensamento de Maine de Biran deu base à constituição do chamado ecletismo, que alcançou grande difusão na Europa, inclusive em Portugal. No caso do Brasil, a Escola Eclética ocupa um lugar central na formação da elite imperial.Filho de médico, radicado em Bergerac, no período em que ali viveu durante quase vinte anos ininterruptos, Maine de Biran (1766-1824) funda uma sociedade médica. Para esse círculo é que escreve uma das poucas obras por ele mesmo divulgadas: “A influência do Hábito sobre a Faculdade de Pensar” (1802) (figura). Em Paris, freqüenta, de início, a denominada Société d’Auteil, mantida por pensadores vinculados à Enciclopédia e às doutrinas de Condillac. Mais tarde, estabelece laços estreitos com o grupo de espiritualistas e neocatólicos que se encontram empenhados na busca de uma filosofia capaz de combinar as conquistas do pensamento moderno com os postulados religiosos. Graças a isto é que a posteridade pôde reconhecer a importância de suas idéias na evolução da filosofia francesa desde que só divulgou, no período parisiense, uma pequena brochura dedicada ao exame da filosofia da Laromiguière, em 1817, sem entretanto declinar sua autoria, e uma breve exposição das doutrinas de Leibniz, publicada na Biographie Universelle (1819). Do grupo dos que vieram a se considerar seus discípulos, participaram Royer-Collard a Victor Cousin. Este último publicaria, em 1841, em quatro tomos, as Obras Filosóficas de Maine de Biran. Em 1859, organizada por Ernest Naville, tem lugar a edição de outros textos inéditos, em 3 volumes. Somente neste século divulga-se a obra considerada completa, em 14 tomos.
BLOCH, Marc Marc Bloch nasceu em 1886, em Lion, França, numa família judia tradicional, sendo seu pai, Gustave Bloch (1848-1923), professor na Sorbonne, especialista em Roma Antiga, que adquiriu grande nomeada. Estudou na Escola Normal Superior que, desde 1904, passou a integrar a Universidade. Marc Bloch concluiu o curso em 1908, com 22 anos de idade e seguiu a carreira do magistério. Preparou-se longamente para o doutorado, sobretudo pelo fato de que teve que interromper suas pesquisas para participar da Primeira Guerra Mundial. Finalmente, defendeu a tese de doutorado em fins de 1921. Intitulou-a Reis e servos. Embora a tanto não haja limitado a sua investigação, estava traçado o caminho que o levaria a tornar-se o principal estudioso da sociedade feudal no século XX, matéria na qual promoveu uma verdadeira revolução. O coroamento dessa investigação seria A" sociedade feudal", subdividida em dois tomos, a saber: 1) Formação dos laços de dependência (Paris, 1939); e, 2) As classes e o governo dos homens (Paris, 1940).
BRUNO, Giordano Nasceu em Nápoles, Itália, em 1548, ingressando muito jovem, aos 17 anos, na Ordem dos Dominicanos. Ordenou-se sacerdote em 1572 e, logo adiante, em 1575, recebeu o grau de doutor em teologia. No ano seguinte, abandonou tudo e fugiu, peregrinando por diversos países da Europa. Cerca de três lustros depois, regressou à Itália, sendo preso pela Inquisição e submetido a processo que se arrastou por muitos anos. Finalmente, em 1600, foi queimado vivo. Semelhante desfecho veio a ser considerado como marco destacado da ruptura da Igreja Católica com a Época Moderna, prevalecendo a corrente que a considerava, em bloco, maculada pela Reforma Protestante, posição que permaneceu praticamente inalterada ao longo dos quatro séculos seguintes. Somente no último século XX, com o Concílio Vaticano II, procura reconciliar-se com a nova realidade, movimento que, por sua vez, levou a muitos equívocos a exemplo da adesão ao marxismo por expressivos segmentos da hierarquia, como seria o caso da Ordem dos Jesuítas. No que se refere a Giordano Bruno, entretanto, parece estabelecido que a condenação explicar-se-ia, muito mais, por suas inclinações mágicas que por sua adesão à teoria heliocêntrica, destacado ponto de partida da ciência moderna. Quando a Igreja Católica, nas últimas décadas do século XIX, decidiu estabelecer a doutrina tomista como filosofia oficial, logo o chamado neotomismo buscou reconciliar-se com a ciência moderna, porquanto tornou-se patente o anacronismo de vinculá-la à Reforma Protestante. O próprio Vaticano passou a dispor de uma Academia de Ciências, culminando com o reconhecimento do equívoco representado pela condenação de Galileu. A questão Giordano Bruno seria diferente.
BURKE, Edmund Nasceu em Dublin, capital da Irlanda, em 1729 e ali mesmo concluiu a sua formação acadêmica, estudando inclusive no famoso Trinity College. Revelou desde logo interesse por questões filosóficas, publicando em 1756, com 27 anos de idade, dois livros desse teor. O primeiro dedicado ao debate da tese de que a constituição da sociedade teria sido precedida pelo estado de natureza, no qual inexistiriam regras legais. Imaginou, entre as duas situações, o que chamou de “sociedade natural”. Essa tese não prosperou. Em contrapartida, o segundo livro – Inquérito filosófico sobre a origem das idéias de sublime e beleza –, alcançaria repercussão nos círculos especializados. Kant teria oportunidade de referi-lo expressamente e considera-se que se teria deixado influenciar. Entretanto, Burke preferiu dedicar-se à atividade política, tendo sido eleito para integrar o Parlamento.
BUTLER, Joseph Joseph Butler nasceu em 1692 e foi educado para tornar-se pastor presbiteriano, tendo para isso ingressado na Dissenting Academy de Tewkesbury. Essa Academia era dirigida por Samuel Jones, que veio a granjear fama como educador. Dentre os contemporâneos de Butler nessa escola muitos tornar-se-iam personalidades destacadas na religião e na política. Ao atingir a idade adulta, decide contudo optar pela Igreja Anglicana, ingressando na Universidade de Oxford, em 1715, onde obteve o B.A., em 1718. Tinha então 25 anos. Nesse mesmo ano é ordenado diácono anglicano pelo bispo Talbot, que era o chefe de uma família ilustre, cujo filho, Charles Talbot, seria lorde Chanceler. Em 1719 foi nomeado Pregador na Rolls Chapel em Londres com o que se inicia sua bem sucedida carreira na Igreja Anglicana. Foi sucessivamente do círculo de pregadores que atuavam diretamente junto à Corte, bispo de Bristol e de Duham. Faleceu nesse último posto, em 1752, com a idade de 60 anos.
CALVINO Jean Calvino (1503-1564) nasceu em Noyon, cidade situada no Norte da França, na região que na fase anterior à formação do Estado francês fazia parte do chamado Reino dos Francos. Destinado por seus pais à carreira eclesiástica, foi mandado a Paris, em 1523, uma criança com apenas 14 anos. Depois de estudar humanidades no Collége de la Marche passa em seguida ao Collége de Montaigu, considerado como um dos bastiões do ensino religioso, dirigido por Noel Beda, que fora preceptor de Erasmo. Nesse colégio havia estudado Inácio de Loyola (1491-1446), que iria, em 1537, fundar a Ordem dos Jesuítas, justamente uma das formas pelas quais a Igreja Católica reagiria à Reforma Protestante. Concluído o curso de teologia, para atender ao desejo de seu pai, Calvino dedica-se ao Direito. Em 1532 publica em latim o comentário ao De clementia, de Seneca, onde não há evidências de suas inclinações reformistas embora se considere que sua conversão ao protestantismo seja desse período. O primeiro indício público da nova orientação viria com a desistência de ordenar-se sacerdote, ocorrida em 1534. Tinha então 25 anos e os efeitos da revolta de Lutero já haviam frutificado plenamente na Alemanha.
(A) Canção de Rolando A canção de Rolando é considerado texto representativo do chamado ciclo carolíngio da literatura medieval. Esta estaria constituída, basicamente, por poemas a serem recitados (ou cantados com acompanhamento musical) perante auditório que se admite seleto, formado por integrantes de determinadas Cortes. A julgar pelo que foi registrado e chegou até nós, estavam dedicados a exaltar grandes feitos, por isto batizados pelos eruditos de épica medieval. Pela ordenação alguns destes poemas destinavam-se a ser cantados, por isto chamados de canções de gesta, significando esta palavra "coisa feita" (ou ocorrência). Teriam portanto a pretensão de estar referindo fatos históricos.
Características do homem, de Anthony Ashley Cooper Anthony Ashley Cooper, 3º conde de Shafsterbury (1671-1713), era filho de lord Shafsterbury, o famoso líder liberal com quem trabalhou Locke. Publicou diversos estudos dedicados à moral, a começar de An Enquiry concerning Virtue or Merit (1699), e depois reuniu-os no livro Characteristics of Men, Manners, Opinions, Times (1711), sucessivamente reeditado. Em sua obra de moralista, seu propósito era encontrar uma posição mediana entre dois grupos extremados. De um lado, os pensadores religiosos ortodoxos que, tomando a expulsão do paraíso como paradigma, consideravam que o principal estímulo para as ações virtuosas dos homens era precisamente a lembrança daquele evento e da punição representada pelo inferno. De outro, pensadores como Hobbes que depreciavam a natureza humana argumentando que o único móvel da ação era o interesse próprio. Para contrapor-se a ambos os grupos empreenderá a defesa da natureza humana.
(A) Cartuxa de Parma, de Stendal O livro está dedicado à paixão tresloucada de um jovem italiano, Fabrício, nas circunstâncias mais inusitadas. Preso numa cela isolada, enxerga por uma fresta a bela Célia Conti, filha do chefe do presídio em que se encontra (na verdade, uma fortaleza). É certo que a conhecera antes, num encontro rápido e sem conseqüências. Correspondido, encontram forma de comunicar-se e apaixonam-se perdidamente. O curioso é que o jovem Fabrício é descrito como pessoa volúvel, sempre às voltas com múltiplas amantes e, Célia Conti, como moça equilibrada e de bom caráter. Fabrício foge da prisão e acaba por ter anulada a sentença que o condenara. Célia Conti torna-se Marquesa de Crescenzi e Fabrício, por sua vez, alto dignatário da Igreja. É reconhecido como um grande pregador. Movida pelo ciúme às paixões que provoca na nova situação, Célia Conti entrega-se a ele e acha que cumpre a promessa de não lhe por os olhos porquanto o faz à noite e no escuro. Toda essa trama pareceria forçada e sem qualquer verossimilhança. Contudo, Stendhal consegue transformá-la num romance que prende o leitor ao mesmo tempo em que proporciona retratos vivos de personalidades diversas. No romance há outras figuras marcantes, como a duquesa Sanseverina, o déspota de Parma, seus sequazes e tantos outros.
CHAUCER, Geoffrey Geoffrey Chaucer nasceu em Londres, aproximadamente em 1342 e faleceu em 1400. Serviu à Corte em diversos postos oficiais tendo em seguida recebido a incumbência de missões diplomáticas na Espanha, França, Itália e Flandres. Esteve em estreito contato com a obra literária daquele período, em especial francesa e italiana. Traduziu autores dessa proveniência e também, como era habitual na época, produziu adaptações ou textos inspirados em tais fontes. Dois são os exemplos mais representativos dessa parcela de sua obra.
CÍCERO Embora não pertencesse às famílias tradicionais, Cícero (nascido em 106 a.C.) fez uma grande carreira política na Roma Antiga, tendo começado como administrador da Sicília. Vindo a integrar o Senado, foi escolhido cônsul num período extremamente conturbado da história de Roma. Vivia-se, no último século antes de nossa era, a transição para um governo mais centralizado onde a elite militar teria influência dominante, governo este que revogou o antigo nome de República substituindo-o pelo de império, ainda que as diversas instituições anteriores hajam sido conservadas.
(A) Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges Apareceu em 1865, sendo seu autor Fustel de Coulanges (1830-1889). Insere-se entre os primeiros trabalhos voltados para a compreensão da civilização antiga. Desde o Renascimento, tornou-se costume invocar eventos daquela época com o intuito de colher ensinamentos e aplicá-los à circunstância contemporânea do autor. Exemplo expressivo encontra-se na obra de Maquiavel – Comentários sobre a Primeira Década de Tito Lívio (1517). A Revolução Francesa imaginou que poderia reviver o esplendor da Roma Antiga adotando as suas denominações para os cargos públicos. Certamente é isto que tem em vista Coulanges quando explica deste modo seu propósito: “A idéia que se tem da Grécia e de Roma muitas vezes perturba as nossas gerações. Observando-se mal as instituições da cidade antiga, pensa-se fazê-las reviver entre nós sob leis da atualidade... Para que haja um verdadeiro conhecimento desses povos antigos, torna-se mister estudá-los sem a idéia fixa de ver neles homens como nós, como se os antigos não nos fossem totalmente estranhos; devemos compreendê-los tão desinteressadamente e com a mesma liberdade de espírito como se estudássemos a Índia antiga ou a Arábia”.
(A) Cidade e as serras, de Eça de Queiroz Supõe-se que Eça de Queirós o haja concluído pouco antes de falecer (1900), não tendo tido oportunidade de vê-lo impresso, o que somente se deu em 1901. Ainda que o livro tenha a intenção de exaltar a bucólica vida da aldeia portuguesa, em confronto com a agitação parisiense, o personagem, Jacinto de Tormes, é uma figura típica do fastio resultante de uma situação de abastança, quando tudo parece haver encontrado seu lugar. Nas nações ricas do Ocidente, sucedem-se gerações desejosos de passar o mundo a limpo, donde a sobrevivência de doutrinas como o anarquismo e o comunismo, ainda que não tenham sido capazes de construir alternativas consistentes ao capitalismo. Jacinto também teve a sua fase de descrença em Deus e de pessimismo pretensamente doutrinário, e as desilusões de parte de seus amigos terminam por leva-los a descobrir o hinduismo, o que sugere a falta de originalidade da época atual, neste início de milênio. Mas vamos ao nosso Jacinto.
(A) Cidade Grega, de Gustave Glotz Apareceu em 1958. Corresponde à aplicação do esquema marxista da luta de classes à civilização grega, na suposição de que esse esquema geral servisse para todas as circunstâncias inclusive o singular milagre grego.Na perspectiva de Glotz, na Grécia formaram-se duas classes, a dos grandes proprietários e a grande massa trabalhadora onde mesmo os artesãos e camponeses livres mal se distinguiam dos escravos. E, prossegue: essa situação teria durado indefinidamente, “se o regime econômico da Grécia não tivesse sofrido uma transformação completa, iniciada no século VIII”. Ao que acrescenta: “Até então, as cidades não dispunham, por assim dizer, de recursos outros que os oriundos da agricultura e da criação de animais; pode-se dizer que a estes só acrescentavam o lucro auferido com trocas e pirataria. Mas sobrevem uma nova fase, em que os gregos se dispersam por todo o litoral do Mediterrâneo, em busca de novas terras e de novos clientes; entre as colônias e as metrópoles, circulam incessantemente produtos agrícolas, matérias-primas e bens manufaturados; o comércio e a indústria adquirem um ritmo inusitado; perto dos portos de grande movimento, multiplicam-se as oficinas e organizam-se os mercados. Assiste-se, desde então, a uma troca de mercadorias de qualidade inferior por algumas cabeças de gado ou utensílios de metal! É o reinado da moeda que começa a implantar-se. Com as cintilantes pecinhas de âmbar, de ouro e de prata, difunde-se o crédito e o gosto da especulação. Um capitalismo cada vez mais audacioso domina o mundo grego, deixando para trás a vida mesquinha dos velhos tempos.”
(A) Ciência e a hipótese, de Henri Poincaré O livro em epígrafe foi publicado em 1905, tendo se tornado um ponto de referência fundamental no combate ao cientificismo. Embora este não haja chegado a desaparecer do pensamento francês – mantendo, ao contrário, uma grande vitalidade –, a obra de Poincaré permitiu que se estabelecesse uma nova linhagem, em matéria de filosofia da ciência, propondo-se alcançar a superação do conceito oitocentista de ciência, em que se baseou a formulação do positivismo. Esse movimento fixou-se não apenas na França, tendo repercutido amplamente em outros países, notadamente em Portugal e no Brasil.
Ciência da Lógica, de Hegel Quando procedia à elaboração da Fenomenologia do Espírito, Hegel pretendia que corresponderia à primeira parte do que então se chamava de “Sistema da ciência”, isto é, um sistema filosófico com pretensões a durar eternamente, que era a grande ambição dos pensadores alemães que se seguiram imediatamente a Kant. A Lógica deveria ser a segunda parte, seguindo-se a Filosofia da Natureza e a Filosofia do Espírito. Ao realizar esse projeto, na Enciclopédia, não encontrou mais um lugar para situar a Fenomenologia. Esta ter-lhe-á servido sobretudo para mostrar que poderia chegar a uma formulação ainda mais abstrata do caminho ali percorrido. Deste modo, a Lógica constitui a metafísica hegeliana. Apesar da aposta de Hegel, a posteridade atribuiu maior importância à Fenomenologia, considerando que a sua gnoseologia marcaria um momento decisivo na Filosofia Ocidental enquanto a sua metafísica acabaria inteiramente ultrapassada e esquecida.
(As) Classes sociais e seus conflitos na sociedade industrial, de Ralf Dahrendorf O adequado entendimento da natureza e da inevitabilidade do conflito social na moderna sociedade industrial corresponde a um dos grandes avanços registrados pela doutrina liberal. Essa aquisição seria devida a Ralf Dahrendorf.Dahrendorf nasceu em Hamburgo, Alemanha, em 1929. Seu pai (Gustav Dahrendorf) era um líder social-democrata, perseguido primeiro pelos nazistas e depois pelos comunistas na então denominada República Democrática Alemã. Devido à evacuação de Berlim imposta pela guerra, o jovem Dahrendorf interrompeu seus estudos. Participando de ações anti-nazistas, acabou preso pela Gestapo, em 1944, sendo libertado com o término da conflagração. Concluiu seus estudos na Universidade de Hamburgo (licenciou-se em filosofia em 1952), obtendo, em 1956, o grau de doutor em sociologia pela London School of Economics.
Comédias, de Shakespeare Shakespeare escreveu doze comédias. A exemplo das tragédias e dos dramas históricos, os estudiosos estabelecem entre elas uma certa hierarquia. Seis delas seriam grandes comédias, bem entendido, estariam ao nível do seu autor, desde que de fato todas são muito apreciadas, têm um enredo intrincado e sempre acabam bem. As excepcionais seriam: Trabalhos de amor perdido; O sonho de uma noite de verão; O mercador de Veneza; Muito barulho por coisa nenhuma; Como gostais e Noite de reis. São os seguintes os títulos das demais: Os dois fidalgos de Verona; As alegres comadres de Windsor; Medida por medida; A comédia dos erros; A megera domada e Tudo está bem quando bem termina. Na comédia, como na tragédia resplandece o gênio Shakespeare.
Confissões, de Santo Agostinho As Confissões, de Santo Agostinho, não constituem propriamente documento autobiográfico. Trata-se da obra de um bispo católico, convertido ao cristianismo na idade adulta, aos 32 anos, na qual passa em revista alguns aspectos de sua vida anterior, de uma visão rigorosamente condenatória, do Livro Primeiro ao Nono. Ao cabo, nos livros restantes, resume, em termos filosóficos, o que seria o encontro com Deus.O próprio autor apresenta desta forma o seu relato: “Mas a quem conto eu estes fatos? Certamente que não a ti meu Deus, mas em tua presença conto estas coisas aos de minha estirpe, ao gênero humano, ainda que estas páginas chegassem às mãos de poucos. E para que então? Para que eu, e quem me ler, pensemos na profundeza do abismo de onde temos que clamar por ti. E que há de mais próximo aos teus ouvidos que o coração constante e a vida que procede da fé?” (Livro Segundo, capítulo III).
Considerações sobre o governo representativo, John Stuart Mill Trata-se de obra em que o autor sistematiza as suas opiniões – e em geral do chamado utilitarismo – sobre aquela forma de governo. Antes de fazê-lo, procura responder a esta pergunta: “até que ponto as formas de governo são uma questão de escolha?” Sustenta a tese geral de que as convicções morais prevalecem sobre os interesses materiais. Exemplifica com a abolição da escravatura no Império britânico e em outros lugares. E acrescenta: “Os servos na Rússia devem sua emancipação, senão a um sentimento de dever, pelo menos ao crescimento de uma opinião mais esclarecida com respeito ao verdadeiro interesse do Estado”. Assim, embora haja circunstâncias que possam obstar a escolha da melhor forma de governo (lembra que foram necessários vários séculos para que os bárbaros invasores do império romano passassem a obedecer aos seus próprios chefes fora do serviço militar), o decisivo é que a opinião se incline naquela direção. Escreve textualmente: “Quando, portanto, a maioria das pessoas instruídas puder ser levada a reconhecer como salutar uma medida social ou uma instituição política, e uma outra como prejudicial; uma como desejável, outra como condenável; muito terá sido feito para proporcionar a uma, e negar à outra, a preponderância da força social que a faz viver. E a máxima de que o governo de um país é aquilo que as forças sociais o obrigam a ser é verdadeira apenas enquanto favorecem, ao invés de desencorajar, a tentativa de exercer, entre outras formas de governo praticáveis na condição existente da sociedade, uma escolha racional”.
CONSTANT, Benjamin Nasceu na Suíça (Lausane), em 1767, tendo recebido uma educação verdadeiramente enciclopédica, concluindo as universidades de Erlangen, na Alemanha e Edimburgo, na Escócia, ao mesmo tempo em que, desde jovem, freqüenta os círculos eruditos de Paris. Casou-se pela primeira vez aos 22 anos, em 1789, mas preferiu uma vida aventurosa em matéria amorosa ao se radicar em Paris, a partir de 1795. Teve uma grande paixão por Mme. de Stael (da nobreza suíça, casada com o embaixador da Suécia em Paris, autora de obras bem sucedidas, inclusive texto consagrado sobre a cultura alemã, dando a conhecer os grandes filósofos da época, a começar de Kant). Sendo francamente um pensador de inspiração liberal (nessa época a doutrina não tinha tal denominação e quando os whigs, na Inglaterra, adotam o nome de Partido Liberal, em 1832, já havia falecido), incompatibilizou-se tanto com a Revolução Francesa como com Napoleão. Este o exilou, juntamente com Mme. de Stael, em 1803.
Contos de Cantuária, de Chaucer
(O) Contrato Social, de Jean-Jacques Rousseau O Contrato Social foi publicado em 1762. Aparentemente insere-se no grande debate iniciado por Hobbes sobre a instituição da sociedade civil, distinta do estado de natureza, e das razões pelas quais os homens preferiram dispor de um governo ao invés de preservar aquele estado originário. Hobbes havia postulado que este último acabara consistindo numa guerra de todos contra todos, exigindo-se a presença de um soberano para impor a ordem. Admitindo que a sociedade civil fora precedida pelo estado de natureza, Locke partiu da hipótese de que os homens decidiram restringir a própria liberdade a fim de preservar a propriedade. Optaram portanto pela existência da lei. Da tese de Hobbes resulta a preferência pela monarquia absoluta enquanto, a partir de Locke, o Legislativo é que se constitui como poder supremo. Mais tarde esse regime foi denominado de monarquia constitucional.
COUSIN, Victor Victor Cousin (1792-1867) ingressou muito cedo no grupo dos chamados liberais doutrinários (sendo mais conhecidos Guizot e Royer-Collard) que assumiu a liderança da Revolução de 1831 e esteve no poder até 1848. Devido à atuação política perdeu a cátedra sob os ultras e chegou a ser preso na Prússia, quando ali esteve no inverno 1824/25, na condição de preceptor de um jovem nobre, função a que se dedicara forçado pelo afastamento do magistério oficial.
Crítica da Razão Pura, de Kant A Crítica da Razão Pura, publicada em 1781, é por muitos considerada a obra fundamental de Kant. Concluiu sua elaboração, depois de dez anos de trabalho, com idade avançada (57 anos). Está dividida em três grandes blocos, com estas denominações: Estética Transcendental, Analítica Transcendental e Dialética Transcendental. Toma ao termo estética na acepção grega original (sensibilidade) e não no sentido que veio a consagrar-se na filosofia (teoria da arte ou do belo).As duas partes iniciais ocupam-se daquilo que viria a ser considerado novo objeto da filosofia (e até de única investigação legítima), a teoria do conhecimento. Corresponde também a uma meditação sobre a ciência que, a partir de Newton, foi reconhecida como novo saber da natureza, em substituição à física clássica. Por essa razão também viria a ser conhecida como filosofia da ciência. Em síntese, o conteúdo dessas partes iniciais é resumido adiante.
(A) Cultura do Renascimento na Itália, de Jacob Burckhardt Jacob Burckhardt (1818-1897) nasceu na Basiléia, situada na parte setentrional da Suíça, nas proximidades dos principados alemães que se reuniram ainda em sua vida (1870) para constituir a Alemanha. Estudou na Universidade de Berlim, quando foi discípulo de Ranke.* Tornou-se docente no Instituto Politécnico de Zurique, onde ensinava história da arte. Adquiriu um profundo conhecimento da cultura italiana e, em geral, da Roma e da Grécia antigas, tendo deixado, entre outras obras, a História Cultural da Grécia (em cinco volumes), A Era de Constantino, o grande e o texto clássico dedicado ao Renascimento. Antes do aparecimento de A cultura do Renascimento na Itália, em 1860, Burckhardt publicou, em 1855, O Cicerone, que de certa forma o completa porquanto se trata de um guia histórico dos tesouros da arte italiana. Talvez por isto, no livro dedicado ao Renascimento, dispensou-se de voltar a considerar este aspecto marcante daquela época. Tendo viajado sucessivamente à Itália, Burckhardt era verdadeiramente apaixonado pelo país e por sua cultura.
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